Padilha pede ao Supremo acesso à Lava Jato

Padilha pede ao Supremo acesso à Lava Jato

Ministro da Casa Civil do governo Temer usa Súmula Vinculante 14 para solicitar 'vista e deferimento' de cópia de 'eventuais procedimentos' abertos contra ele na Corte

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

05 de abril de 2017 | 05h00

Eliseu Padilha. Foto: Brazil Photo Press

Eliseu Padilha. Foto: Brazil Photo Press

O ministro-chefe da Casa Civil do Governo Temer, Eliseu Padilha, pediu ao Supremo Tribunal Federal acesso e cópia de ‘eventuais procedimentos’ instaurados contra ele no âmbito da Lava Jato.

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Em petição endereçada à ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte, Padilha invoca a Súmula Vinculante 14, do STF, que autoriza a investigados conhecerem o que pesa contra eles.

Na petição, o advogado Daniel Gerber, que representa Padilha, destacou. “Considerando que a mídia nacional informa que houve citação do nome do peticionário em eventuais delações homologadas por esta Suprema Corte, assim como requisição de investigação contra si, por parte da Procuradoria Geral da República, requer vista e deferimento de cópia de eventuais procedimentos instaurados em seu desfavor perante esse Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante nº 14.”

O nome do ministro foi citado pelo ex-assessor da Presidência, advogado José Yunes, que afirmou ter agido como ‘mula involuntária’ de Padilha ao receber um pacote no seu escritório em São Paulo, das mãos do doleiro Lúcio Funaro, suposto operador de propinas do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

O caso foi revelado na delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, que disse ter mandado entregar dinheiro em espécie no endereço de trabalho de Yunes, em 2014.

Amigo de Temer, o advogado nega ter recebido dinheiro, mas admite que Padilha pediu, por telefone, para ele receber ‘um documento’.

“Pelo relacionamento político e partidário que tenho com ele, Padilha pediu se eu poderia receber no escritório um documento, um pacote, para que outra pessoa fosse pegar”, contou Yunes ao Estadão, em fevereiro. “Quem levou o documento, que eu não conhecia, era o Lúcio Funaro. Por isso eu brinquei que fui mula involuntária do Padilha.”

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