Outubro Rosa e covid: uma análise sobre a queda no número de mamografias realizadas no Brasil

Outubro Rosa e covid: uma análise sobre a queda no número de mamografias realizadas no Brasil

Lu Braga*

07 de outubro de 2021 | 08h30

Lu Braga. FOTO: DIVULGAÇÃO

Outubro Rosa é o mês dedicado à conscientização do câncer de mama. Uma em cada 12 mulheres recebe diagnóstico de câncer de mama no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 60 mil novos casos são relatados por ano no País.

O câncer de mama pode levar a pessoa ao óbito ou a perda da mama. O diagnóstico precoce eleva em até 95% as chances de cura. Atualmente, o método mais eficaz no combate ao câncer de mama, é feito com a disseminação de informação sobre os métodos de prevenção e controle e identificação do câncer de mama, levando as mulheres a realizarem o autoexame, além do diagnóstico em exames como a mamografia.

Outubro Rosa, pandemia e prevenção

Por conta da pandemia, o número de mamografias no SUS caiu 45% no ano passado. A incerteza sobre o Covid-19, junto a hospitais lotados com risco de contágio do vírus, fez com que mulheres não fossem a hospitais em 2020 para fazer o exame de mamografia, porém o câncer pode se desenvolver em semanas ou meses, e o risco de desenvolvimento do tumor pode ser fatal.

Apesar do autoexame ajudar na detecção de nódulos, a queda no número de mulheres que faz a mamografia como exame preventivo é algo preocupante. A mamografia consegue realizar a detecção precoce e a identificação de tumores pequenos e estágios iniciais da doença. A agilidade no tratamento é o que garante o tempo de sobrevida da mulher, por isso quanto antes detectado, maiores são as chances de cura.

A aposta na conscientização coletiva

Promover ações de combate aos mais variados tipos de cânceres é uma aposta no desenvolvimento da conscientização coletiva por meio do compartilhamento de informações a fim de desmistificar, por exemplo, a realização de exames. Dar ouvidos a pessoas que, de fato, possuem lugar de fala e já vivenciaram a doença é uma das principais formas de instruir cada vez mais mulheres sobre a importância de manter seus exames em dia.

Essa conscientização precisa acolher, de fato, a todas. O Líbano, por exemplo, é o país que possui um dos maiores índices de câncer de mama no mundo, logo, é importante estender a informação e o acolhimento à todas as mulheres, principalmente aquelas que, por suas culturas e/ou religiões apresentam certo preconceito quanto à realização do exame que pode, não somente livrá-las de viver a experiência de um câncer, mas também salvar suas vidas.

*Lu Braga, voluntária de pacientes com câncer há mais de 20 anos. Encabeçou inúmeras campanhas de doação de sangue e de cadastro de medula óssea no Brasil. Foi a primeira paciente do Instituto Internacional Moça Bonita – primeiro trabalho no mundo, sem fins lucrativos, voltado para mulheres jovens com câncer com idade entre 20 e 50 anos

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