Outorga do selo ‘safe travels’ a Portugal

Outorga do selo ‘safe travels’ a Portugal

Hellen Garcia*

01 de julho de 2020 | 05h00

Foto: Divulgação

Vivemos no primeiro semestre de 2020, uma crise global sem precedentes na história recente da humanidade. Diante do cenário catastrófico que se formou, nunca foi tão falado e importante a criação de um gabinete para gestão de crise, que constitui basicamente a reunião de experts em assuntos “chave” para lidar com determinado problema de maneira multidisciplinar, analisando o ente defendido sob todas as óticas relevantes, seja econômica, social, política, público e privado.

A exemplo de outros países Europeus, em 19 de março, Portugal criou um gabinete de crise para gestão dos impactos da pandemia no país, constituído basicamente pelos Ministros da Economia, da Transição Digital, de Estado e dos Negócios Estrangeiros, de Finanças, da Administração Interna, da Defesa Nacional, da Saúde, das Infraestruturas e Habitação, presidido pelo Primeiro Ministro.

Dentre todas as dificuldades encontradas pelas nações durante os primeiros meses do ano, sem sombra de dúvidas os maiores desafios foram nos setores da saúde e economia, os exemplos internacionais que oscilaram entre pacotes econômicos para evitar a recessão num primeiro momento, tiveram altos índices de contágio e óbitos a exemplo da Suécia, em contrapartida outros países que priorizaram incisivamente a saúde, os níveis de desemprego e recessão econômica são históricos, a exemplo da Argentina, tudo isto sob o assombro de uma segunda onda de contágio, pois até o momento não há vacinas.

Fazendo uma análise internacional, podemos constatar que não existe um “case” de sucesso absoluto, nem tampouco uma receita de bolo mágica que conduza pelo caminho das pedras as nações que ainda não encontraram direção, pois os indicadores sociais, que são o conjunto de dados estatísticos a respeito da vida de uma nação e retratam padrões que nos permitem conhecer seu nível de desenvolvimento e estado social, são plurais.

Apesar disso, é fundamental às nações reconhecer o sucesso na adoção de medidas assertivas e customizá-las, para através do exemplo trilhar um caminho com base em experiências comprovadamente de sucesso.

Neste viés, Portugal se destaca no cenário internacional, seja pela efetividade na adoção de medidas mitigatórias e preventivas na saúde, mas também no setor econômico, por se tratar de uma nação em que o turismo detém considerável protagonismo econômico, a atuação do gabinete de crises foi decisiva neste processo.

Prova disso, foi a outorga do selo “Safe Travels” concedido pelo World Travel & Tourism Council (WTTTC), que reconhece destinos que cumprem regras de saúde e higiene alinhados com protocolos de viagens seguras, criados pela própria entidade, sendo Portugal o primeiro país europeu a receber tal reconhecimento.

Além do mais, percebemos o curso de um movimento que antes mesmo da pandemia já timidamente emergia, no que se refere a processos, procedimentos, segurança da informação, protocolos de cooperação, gestão e controle interno e o seu enquadramento a determinados requisitos eleitos por entidades reguladoras privadas e padronizadoras destes protocolos, com o pós-crise desponta a importância do cumprimento de normas de saúde e segurança, título conferido através de selos, como o outorgado a Portugal.

Portanto, o empresário que pretende se manter competitivo e longevo no mercado pós-crise, além dos desafios inerentes ao empreendedorismo, deverá conhecer estes selos, seja para investir na modernização e capacitação interna, seja para vislumbrar uma expansão empresarial sabendo onde é melhor investir, como em Portugal, por exemplo.

*Hellen Garcia, advogada do Escritório de Advocacia Bastos Freire

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