Ouça o amigo de Temer e o entregador de propina

Ouça o amigo de Temer e o entregador de propina

Áudios entre João Batista Lima Filho, o Coronel Lima, ligado ao presidente, e emissários reforçam indícios de entregas de dinheiro da Odebrecht a grupo de emedebistas, diz a PF

Téo Cury, Rafael Moraes Moura e Fabio Serapião/BRASÍLIA

10 Setembro 2018 | 19h26

Reprodução

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu autorizar o acesso da Comissão de Ética Pública da Presidência da República ao inquérito da Odebrecht que investiga o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia).

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No inquérito, concluído na última semana, a PF diz haver indícios da prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por parte de Temer, Padilha e Moreira Franco. A investigação tem origem na delação de executivos da Odebrecht que afirmaram ter repassado recursos ilícitos da empreiteira para os emedebistas como contrapartida ao atendimento de interesses da Odebrecht pela Secretaria de Aviação Civil.

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No caso do presidente Temer, a PF mapeou a entrega de R$ 1,4 milhão para João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo do emedebista. Para sustentar a tese, a PF ouviu o doleiro Alvaro Novis, dono da Hoya Corretora e responsável pelas entregas, e anexou conversas de telefone em que o próprio Lima aparece conversando com os entregadores de dinheiro nos dias dos repasses citados pelos delatores.

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O Estado teve acesso aos áudios. Em um deles, o amigo de Temer pergunta a Márcio José Freira do Amaral, funcionário da Hoya Corretora, se haveria novos repasses de dinheiro. “Tem alguma previsão para mais alguma coisa ou não?”, questiona Lima. “Não, ainda não tenho informação nenhuma”, diz Amaral.

No mesmo telefonema, o funcionário questiona Lima se as três “reuniões” haviam sido realizadas corretamente. “Tudo bem, tudo bem. A última, a da sexta-feira, em que foi entregue aí ao Silva as ‘atas’, elas não foram iguais às ‘atas’ anteriores, né? Ficou um pouco abaixo”, respondeu Lima. “É, um pouquinho abaixo, porque o número era quebrado”, explicou o funcionário. “Tá certo”, afirmou Lima.

Em outra conversa, também entre o coronel e um funcionário da Hoya, o amigo de Temer fala sobre a entrega de valores. Essa ligação para a empresa do doleiro se deu às 10h25 de 19 de março de 2014. Cerca de uma hora depois, às 11h35, Lima ligou para um celular em nome de Temer e dois minutos depois de falar com presidente, às 11h37, o amigo de Temer recebeu outra ligação da empresa do doleiros responsável pelas entregas de valores.

Segundo a PF, esta última ligação teve como “finalidade de confirmar a alteração do horário daquele dia, assim como de ajustar os horários das entregas subsequentes, restando estabelecido o intervalo entre 12h e 13h.” “Eu faço de tudo para estar às 12h”, se comprometeu o coronel. Logo após esta conversa, às 11h51, Lima voltou a ligar para Temer com quem falou cerca de 5 minutos.

“Tais evidências indicam fortemente que, no episódio, os valores foram recebidos pessoalmente por João Baptista Lima Filho, na sede de sua empresa, a Argeplan”, diz a PF. Além na entrega no dia 19, a PF mapeou outras duas realizadas nos dias 20 e 21. Em todas, os investigadores confrontaram a versão de Alvaro Novis com as ligações do coronel Lima para a empresa do doleiro.

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