Ou você joga para debaixo do tapete ou você denuncia para as autoridades, diz vice jurídico da Siemens

Mateus Coutinho

25 de março de 2014 | 14h43

Fabio Selhorst defende rigoroso sistema de compliance para empresas evitarem irregularidades e lembra que Lei Anticorrupção trouxe mais rigor no Brasil

por Fausto Macedo

O vice-presidente jurídico da Siemens Brasil, Fábio Selhorst, sugeriu nesta terça-feira, 25, que todas as empresas instalem um rigoroso sistema de compliance para evitar irregularidades envolvendo seus executivos. Ele alertou para o rigor da Lei Anticorrupção, vigente no Brasil desde dezembro “a empresa que daqui para frente não for integra, não for ética, não vai ficar no mercado.”

Selhorst disse que o País “vive o começo de um movimento nesse sentido, principalmente com a nova lei 12.846 (Anticorrupção)”. A Siemens fez acordo de leninencia com o Conselho Adminitrativo de Defesa Economica (Cade), órgão antitruste do governo federal, que possibilitou a descoberta da ação do cartel metroferroviário em São Paulo e no Distrito Federal, entre 1998 e 2008.

Selhorst disse que a multinacional alemã não tomou a medida “por ingenuidade”.

“Encontramos indícios de práticas suspeitas, por isso levamos imediatamente o assunto as autoridades que têm poder de polícia”, disse o vice jurídico da Siemens Brasil. Ele não falou especificamente sobre o escândalo, mas ao abordar a questão do compliance, observou. “Ao identificar os indícios de nossas irregularidades,  como qualquer empresa, temos duas opções: ou varremos para debaixo do tapete, ou podemos levar pro-ativamente às autoridades.”

Para ele, diante da tolerância cada vez menor da sociedade às práticas ilícitas, o caminho é um só: “se você varre para debaixo do tapete (condutas ilícitas) ou se você fecha esse armário com o esqueleto dentro e joga no rio tietê, esse armário pode um dia voltar à superfície. Ele vai aparecer num momento futuro, quando a tolerância, como a gente espera, a qualquer prática ilítica, vai ser muito menor do que é hoje.”

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