Os ‘vínculos pretéritos e atuais’ entre Temer e Rocha Loures

Os ‘vínculos pretéritos e atuais’ entre Temer e Rocha Loures

Polícia Federal produziu documento sobre vínculos entre 'homem da mala' e presidente da República, para mostrar que ex-assessor preso pela Lava Jato tinha 'canal aberto de comunicação' com o Planalto

Ricardo Brandt, Fábio Serapião e Julia Affonso

22 de junho de 2017 | 05h28

Michel Temer e Rodrigo Rocha Loures. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Polícia Federal produziu um relatório sobre os “vínculos pretéritos e atuais” entre o presidente, Michel Temer, e o “homem da mala” Rodrigo Rocha Loures, que foi seu chefe de gabinete e assessor presidencial.

“Loures mantinha um canal aberto de comunicação com a Presidência da República, o que lhe propiciava saber não só de ocorrências cotidianas do Palácio do Planalto, mas sobretudo e em particular, sobre a agenda presidência”, registra a informação policial número 25, anexado ao inquérito contra Temer.

O documento, de 12 de junho,  buscou mostrar os vínculos e a proximidade do “homem da mala” com Temer, como homem de sua confiança. Além de mensagens monitoradas, foram listadas as nomeações de Loures como assessor no Planalto, as doações e mensagens gravadas para a campanha de deputado, em 2014.

O objetivo era embasar o apontamento de Loures por Temer como interlocutor nas conversas com o dono da J&F, Joesley Batista, em conversa gravada pelo delator no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março.

Em uma conversa telefônica de Loures do dia 9 de maio, quando ele já tinha assumido cargo de deputado federal, ele afirma ao interlocutor “que está exercendo uma ‘dupla jornada’, referindo-se à continuidade dos seus trabalhos no Palácio do Planalto”.

A PF reuniu ainda outras conversas de Loures em que ele atua e busca influenciar decisões do Planalto.

“De igual modo, no áudio de 12 de abri de 2017, observa-se que o deputado Rocha Loures, embora já não mais ocupando o cargo de assessor especial da Presidência da República, continuava intermediando contatos com a Presidência da República e gozando de facilidade e celeridade na marcação de audiencia no Palácio do Planalto.”

A PF diz que o “homem da mala” “mantinha um canal aberto de comunicação com a Presidência da República, o que lhe propiciava saber não só de ocorrências cotidianas do Palácio do Planalto, mas sobretudo e em particular, sobre a agenda presidencial”.

Assessor. A PF reuniu cópias dos diários oficiais com as nomeações de Loures para assessor Temer. A primeira delas de 2011, quando ele assumiu a chefia de gabinete do recém eleito vice-presidente da República.

Consta que depois de ocupar mandato de deputado federal de 2007 a 2010 pelo PMDB do Paraná, Loures perdeu a disputa, mas foi convidado para ser braço-direito de Temer.

O documento registra ainda que Loures foi eleito suplente em 2014 de deputado, em caso de vaga deixada por Osmar Serraglio (PMDB-PR), mas que em 2015 foi nomeado para chefe da assessoria parlamentar da vice-presidência.

“Rocha Loures voltou a ocupar o mesmo Cargo de Chefe da Assessoria Parlamentar da Vice-Presidência da República, conforme publicação do Diário Oficial da União de 23 de janeiro de 2015, mantendo-se assim o vínculo com o entãoo Vice-Presidente Michel Temer”, registra o documento.

Três meses depois, o “homem  da mala” passa a ocupar uma nova função no Palácio do Planalto, “dessa vez como Chefe de Gabinete do Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República”.

Cargo que ocupou até o impeachment da presidente Dilma Roussef. “Em 22 de setembro de 2016, Rocha Loures foi nomeado ao Cargo de Assessor Especial do Gabinete Pessoal do Presidente da República.” Cargo que permaneceu até assumir cadeira na Câmara dos Deputados, quando Serraglio foi nomeado ministro da Justila.

Doador. O documento da PF sobre a proximidade entre Temer e Rocha Loures destaca ainda as doações feitas pelo presidente para a campanha de deputado federal do “homem da mala”, em 2014, e a mensagem gravada por ele para a campanha.

Dados oficiais mostra que Temer pagou R$ 200 mil para a campanha de Loures, em 2014, em duas doações de R$ 100 mil.

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