Os tolos e a vacina

Os tolos e a vacina

Fernando Goldsztein*

24 de agosto de 2021 | 16h23

Fernando Goldsztein. Foto: Divulgação

O Brasil está prestes a superar os Estados Unidos em um indicador absolutamente fundamental para os dias atuais. Não me refiro aos principais indicadores socioeconômicos como PIB, renda per capita, IDH, Coeficiente de Gini, taxa de desemprego ou oferta de serviços públicos. Sabemos que em todos estes quesitos estamos muito atrás dos americanos.

Trata-se do índice de vacinação contra a Covid-19. Segundo informações disponíveis no site “ourworldindata.org, o Brasil logo deve ultrapassar os Estados Unidos em proporção da população imunizada com a primeira dose. Ambos estão com aproximadamente 60% de imunizados. Importante deixar claro que, com relação à imunização completa, ainda seguimos bem atrás. Isso porque, além de termos iniciado mais tarde, temos um intervalo maior entre doses em função da escassez de vacinas.

Mas, como pode o Brasil tomar a dianteira? Os Estados Unidos investiram muitos bilhões de dólares em pesquisas e tecnologia. Eles produzem em abundância as principais vacinas do mundo: Pfizer, Moderna e Jansen. Qual seria a explicação para tal fenômeno?

É bem verdade que, apesar do inicio tardio que custou muitas vidas, o Brasil tem avançado bem na vacinação. Porém, vamos superá-los, mais do que tudo, em função da estagnação da vacinação por lá. Estamos imunizando diariamente quase quatro vezes mais do que os EUA. Eles chegaram numa espécie de platô e dali avançam com muita dificuldade.

Esta situação pode ser resumida com apenas uma palavra: negacionismo. Existe uma importante parcela da população, especialmente concentradas no meio-oeste e nos estados mais ao sul (tradicionalmente republicanos), onde há um baixíssimo índice de adesão à vacina.

Esta situação tem preocupado muito as autoridades por lá, especialmente neste momento em que a variante Delta avança a passos largos mundo afora. Neste final de semana, o ex-presidente Donald Trump, negacionista de primeira hora e fonte de inspiração para alguns líderes por aqui, fez um discurso marcante. Foi no estado do Alabama onde apenas 36% da população está imunizada. Disse Trump: “Vocês sabem que eu acredito totalmente na liberdade de cada um. Mas, eu recomendo que façam a vacina. Eu fiz. É bom. Façam a vacina”.

Pois bem, como diz velho e sábio ditado, somente os tolos e os mortos não mudam de opinião… .

*Fernando Goldsztein, empresário

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