Os tesoureiros do PT e a Lava Jato

Os tesoureiros do PT e a Lava Jato

A Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, mira no terceiro ex-tesoureiro do PT

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

04 de julho de 2016 | 09h31

Da esquerda para a direita: Paulo Ferreira, João Vaccari Neto e Delúbio Soares. Fotos: Estadão

Da esquerda para a direita: Paulo Ferreira, João Vaccari Neto e Delúbio Soares. Fotos: Estadão

A Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, mira no terceiro ex-tesoureiro do PT. A pedido da Procuradoria da República, no Paraná, o juiz federal Sérgio Moro determinou a prisão do ex-secretário financeiro do partido Paulo Ferreira – já preso em São Paulo na Operação Custo Brasil.

Já haviam sido alvos da Lava Jato, os ex-tesoureiros do PT João Vaccari Neto e Delúbio Soares.

AS SUSPEITAS SOBRE CADA TESOUREIRO DO PT

Paulo Ferreira. Foto: Clayton de Souza/AE

Paulo Ferreira. Foto: Clayton de Souza/AE

– Paulo Ferreira:

Tesoureiro do PT entre 2005 e 2010. A Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 4, aponta que o ex-vereador do PT, em Americana, Alexandre Romano, o Chambinho, intermediou propinas sobre obras do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes) para o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, que ‘teria recebido os valores na condição de agente do Partido dos Trabalhadores’. O juiz federal Sérgio Moro, a pedido do Ministério Público Federal, determinou a prisão de Paulo Ferreira – que já está custodiado preventivamente na Operação Custo Brasil.

Segundo os investigadores, Alexandre Romano confessou que usou suas empresas, a Oliveira Romano Sociedade de Advogados, a Link Consultoria Empresarial e a Avant Investimentos e Participação Ltda., para receber mais de R$ 1 milhão das construtoras integrantes do Consórcio Novo Cenpes – que construiu o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, no Rio.

“Os valores foram recebidos por meio de contratos simulados e repassados a pessoas físicas e jurídicas relacionadas com Paulo Ferreira, inclusive em favor dele próprio, familiares, blog com matérias que lhe são favoráveis e escola de samba”, apontam os investigadores que não informaram o nome da escola de samba.

João Vaccari Neto chega a seu interrogatório na Lava Jato. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

João Vaccari Neto chega a seu interrogatório na Lava Jato. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

– João Vaccari Neto:

O ex-tesoureiro do PT está preso desde abril de 2015. Vaccari já foi sentenciado em um processo na Lava Jato e responde a mais quatro ações penais.

Na primeira ação que respondeu, o petista foi condenado a 15 anos e 4 meses por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Lava Jato. Segundo a sentença, o ex-tesoureiro do PT intermediou repasse de R$ 4,2 milhões para o partido.

Na decisão, o juiz Sérgio Moro anotou sobre Vaccari. “A prática dos crimes corrupção envolveu o recebimento pelo Partido dos Trabalhadores, com intermediação do acusado, de pelo menos R$ 4.26 milhões de propinas acertadas com a Diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobrás pelo contrato do Consórcio Interpar, o que representa um montante expressivo.”

Delúbio Soares é ex-tesoureiro do PT. Foto: André Dusek/Estadão

Delúbio Soares é ex-tesoureiro do PT. Foto: André Dusek/Estadão

– Delúbio Soares:

O ex-secretário financeiro do partido foi alvo de condução coercitiva na 27ª fase. Delúbio é réu em ação penal, acusado pelos procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato por suposto envolvimento no emblemático empréstimo de R$ 12 milhões tomado pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, junto ao Banco Schahin – a transação ocorreu em outubro de 2004.

Na denúncia, são acusados de lavagem de dinheiro de R$ 6 milhões o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André, e mais 8 investigados, entre eles o publicitário Marcos Valério – operador do Mensalão, e Delúbio Soares. Segundo a força-tarefa, Ronan Maria Pinto ‘está entre os beneficiários de empréstimo fraudulento feito junto ao Banco Schahin em favor do PT’.

Para os investigadores, os R$ 6 milhões fazem parte de um total de R$ 12 milhões emprestados pelo Schahin a Bumlai. O próprio Bumlai afirmou à Polícia Federal que o dinheiro foi destinado ao PT. Na época, Delúbio Soares – condenado no Mensalão – era o tesoureiro do partido.

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