Os temas que devem tomar a atenção das empresas em 2020

Os temas que devem tomar a atenção das empresas em 2020

Rafael Segrera*

16 de fevereiro de 2020 | 12h00

Rafael Segrera. FOTO: DIVULGAÇÃO

Se há um tema que continuará levantando discussões e convergindo investimentos neste novo ano, sustentabilidade é seu nome. Cada vez mais, empresas de portes e segmentos diversos precisarão refletir e, sobretudo, agir para minimizar o impacto das mudanças climáticas. Já passam de 100 as companhias globais que assumiram o compromisso público de limitar o aquecimento global a 1,5°C (meta estipulada com base em estudos científicos), mas é urgente expandir ao máximo esse raio de ação. Toda a cadeia de valor, culminando no consumidor final, tem que se envolver nessa missão crítica, de efeito estrondoso. Um exemplo: no contexto da economia circular e com o intuito de amenizar a própria pegada de carbono, as indústrias devem desenvolver medidas para tornar o consumo de água e o uso de eletricidade muito mais eficientes. O mundo dos negócios deve ao planeta: 1) metas consistentes e ambiciosas; 2) iniciativas pragmáticas e mensuráveis.

E aqui vale destacar a questão da eficiência energética. Em um planeta que sofre com as mudanças climáticas, é fundamental repensar a matriz de produção. Descarbonizar é a palavra de ordem. Ou as empresas apostam na energia verde ou deverão sucumbir. As próprias concessionárias de energia estão investindo em automação, porque querem – e precisam – ser mais eficientes. Tem mais: com a descarbonização, vem outra tendência forte: descentralização. A forma de gerar, distribuir e transmitir eletricidade não é a mesma. Os microgrids e a geração distribuída compõem a nova realidade.

O caminho do sucesso já foi apontado. Automação industrial, digitização, IIoT (Industrial Internet of Things), Indústria 4.0 – use o termo da sua preferência. A conectividade de processos, ativos e produtos conduz à convergência entre IT (Information Technology) e OT (Operational Technology), e a junção entre esses dois mundos, por sua vez, permite não só visão em tempo real da produção, do consumo e de outros dados igualmente relevantes, mas também tomada de decisões assertivas. Que ações são necessárias para responder às demandas do mercado? Qual é o impacto do seu negócio? Como anda sua pegada de carbono? Monitoramentos, simulações, previsões – tudo isso é possível com o uso das novas tecnologias. E não se trata de uma questão de escolha. Se você não embarcar na jornada da transformação digital, você está fora do jogo. Simples assim.

E isso nos leva ao quarto tema de destaque em 2020: cibersegurança. Tudo acontece no virtual, mas o perigo não poderia ser mais real. A boa notícia é que as organizações estão alertas e transformando preocupação em ação. Para ter êxito nessa guerra cibernética, é imprescindível conscientizar líderes e demais colaboradores sobre a importância de seguir políticas, normas e protocolos de segurança. Além disso, é preciso investir em formação, em capacitação, em treinamento para que os profissionais estejam aptos a implementar as várias ferramentas já disponíveis. E, por fim, deve-se monitorar, regularmente, os processos de ponta a ponta, sempre com foco em melhorias contínuas. Ou isso, ou o prejuízo pode ser incalculável. Se você se conecta – verdade seja dita –, o risco existe, mas, se você não se conecta, ele é muito maior: ficar fora do negócio.

Formação, capacitação, treinamento – isso tudo é educação continuada, e, para o bem geral, as organizações precisam apoiar essa ideia. Veja, estamos falando de mudanças climáticas, eficiência energética, tecnologias emergentes, cibersegurança… São temas da atualidade, sobre os quais a grande maioria da população economicamente ativa não recebeu qualquer lição. Espera-se que as instituições de ensino estejam de fato atentas às transformações do mercado de trabalho e, portanto, preparando os estudantes de maneira adequada, mas e quanto à base da pirâmide? É lá que as empresas devem direcionar os esforços. Precisamos dessa massa de trabalhadores para atingir o patamar desejado e necessário. Desaprender para aprender – talvez seja esse o segredo.

Para terminar, menciono o último grande tema de destaque e aproveito a oportunidade para dar um chacoalhão nos relutantes. Neste novo ano, temos que unir forças. Diversidade e inclusão – a teoria já é conhecida, mas a prática, só ela, traz resultados. Gênero, idade, etnia, background – precisamos de todos. Todos com acesso à energia, todos com acesso ao digital. Quem ainda não se conscientizou disso já não tem espaço entre nós.

*Rafael Segrera é presidente da Schneider Electric para América do Sul

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: