Os professores, a pandemia e o ensino não presencial

Os professores, a pandemia e o ensino não presencial

Idelfranio Moreira*

23 de abril de 2021 | 07h20

Idelfranio Moreira. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A pandemia da Covid-19 demandou o distanciamento social, afastou professores e alunos, tornou o ensino – contingencialmente – remoto. A relação ensino-aprendizagem passou a ser mediada pela tecnologia, via internet.

Um ano neste cenário demonstrou que nem todos têm acesso à tecnologia, como se imaginava. Em alguns casos, ter a tecnologia não garante saber usá-la. E, pior ainda, ter e saber não implica, necessariamente, querer. A internet cai, a energia falta, a câmera quebra, o microfone chia.

Para os professores, gravar vídeos, transmitir aulas, postar atividades e editar formulários para as avaliações passaram a ser novas demandas. No início, até foi o (maior) desafio. Para muitos significou aprender novas habilidades de forma acelerada. E os professores aprenderam! Afinal, o aprender faz parte do ensinar.

Entretanto, para muitos, a solidão apresentou-se nas câmeras desligadas, como o “dormir em sala”. E, nos chats paralelos, configurou-se o novo “passar bilhetinho na hora da aula”. Se houve cenários em que os professores precisaram suprir a falta de uma plataforma utilizando-se do WhatsApp, por exemplo, e a falta de acesso à internet entregando materiais impressos aos alunos, em outros, o desafio foi se fazer ouvir por eles, tocar seus corações, antes mesmo de pensar em trabalhar suas mentes. No final das contas, tudo tem mais a ver com comunicação e relacionamento do que com dados móveis e plataformas.

James Prochaska, psicólogo da Universidade de Rhode Island, em seu Modelo Transteórico da Mudança de Comportamento, fala em estágios: distração, contemplação, preparação e ação. Aqueles profissionais da educação que, no início da pandemia, ainda negavam a necessidade de mudar (distração) ou que ainda não estavam agindo (contemplação) foram levados, abruptamente, à fase de aprendizado (preparação). Essa aceleração repentina trouxe consigo ânsia, sobrecarga e cansaço. Mas trouxe, também, a oportunidade da formação de novos hábitos e da descoberta de novos modos de fazer (ação).

As escolas já vinham demandando – antes mesmo da pandemia – professores “mais humanos”. Entenda-se, capazes de trabalhar os alunos mais que os conteúdos. Significa desenvolver habilidades, avaliar competências, proporcionar autonomia aos alunos, ressignificando o ensino e enfatizando o aprendizado. “É mais fácil transformar uma boa pessoa num bom profissional do que o contrário” é o que tenho ouvido nos últimos tempos. É uma demanda do mundo mais que do mercado.

Assim, as ações focadas em acolhimento, escuta, gestão das emoções, empatia, estratégias para lidar com estresse e frustrações, comunicação não-violenta e relacionamentos têm gerado melhores resultados, impactado mais. Há, então, que se melhorar as pessoas. Percebe? Investimento para o agora, ganho para o pós-pandemia.

*Idelfranio Moreira, gerente de Inovações para Professores da SAS Plataforma de Educação

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