Os perigos do submundo da internet

Os perigos do submundo da internet

Vinicius Durbano*

04 de abril de 2019 | 07h00

Vinicius Durbano. FOTO: RENATO GASPARETTO/ESTÚDIO UNIQUE

A deep web – ou traduzindo literalmente, a “internet profunda” – é o que nós em tecnologia classificamos como a internet B, um espaço onde informações de alta complexidade podem ser compartilhadas seja por governos, empresas e outras organizações.

Inicialmente era utilizada por órgãos militares dos Estados Unidos com o objetivo de mascarar a identidade online de agentes em missões de campo ou até informantes infiltrados ao redor do mundo. Mas, aos poucos, esse espaço foi sendo tomado por outros interesses.

Assim como governos de diferentes países e escalas estão lá, outros grupos muito perigosos passaram a ser frequentes nesse espaço desconhecido. A deep web é morada também de grupos extremistas como nazifascistas, pedófilos, grupos que incentivam o suicídio, criminosos que comercializam de armas, pornografia e até drogas.

As primeiras informações a respeito do bárbaro crime ocorrido numa escola estadual de Suzano (SP), onde dois jovens dispararam armas de fogo e uma besta contra estudantes e funcionários causando oito vítimas – os autores se suicidaram – indicam que esses grupos extremistas que atuam na deep web podem ter envolvimento direto e indireto com a execução da ação.

A ação direta passa pela indicação de quem poderia vender as armas utilizadas na ofensiva, passando pelo aconselhamento sobre como acessar a escola, passando pela fabricação de explosivos. A internet, como a conhecemos hoje, reúne e tenta exercer certo controle sobre esses fóruns e sites com conteúdo extremo. Há casos de banimentos desses grupos no ambiente web. No entanto, infelizmente, eles migram e se multiplicam na deep web.

A deep web é uma morada até certo ponto confortável para sites que estimulam práticas extremistas porque a mesma é totalmente criptografada. Ou seja, os IPs – números que ajudam a identificar o computador de origem desses conteúdos – não são rastreáveis, o que dificulta a identificação dos autores.

No caso do crime de Suzano (SP), as autoridades policiais tiveram como ponto de partida a investigação de um determinado grupo e um de seus integrantes está detido. No entanto, diante da dificuldade de rastreamento – uma vez que na deep web os números de IPs das máquinas são “simulados” para justamente impedir a identificação – será uma tarefa dificílima garantir com 100% de certeza que todos os co-responsáveis pela ação criminosas serão, de fato conhecidos e punidos.

Bem, mas como os pais podem atuar para evitar mais tragédias como a de Suzano? Uma ação inicial é rastrear o computador usado pelos filhos e identificar programas estranhos ao equipamento. Um programa muito usual que cria um navegador específico para a imersão na deep web chama-se Tor. Uma vez que sua máquina ou a do seu filho possuam esse programa, podemos ter um indicativo de que algo está errado.

Para identificá-lo, a tarefa não é tão complexa: no caso do sistema operacional Windows, por exemplo, basta correr ao menu inicial e fazer uma busca pelo nome Tor, por exemplo. Se o mesmo for identificado, converse com seu filho a respeito.

A deep web, infelizmente, lança luz sobre todas as piores ações humanas e precisamos estar atentos para que não sejamos nós no futuro a chorar por nossos jovens e crianças.

*Vinicius Durbano é sócio diretor da Eco IT, empresa especialista em segurança digital e proteção de dados

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