Os números trágicos da guerra da Ucrânia

Os números trágicos da guerra da Ucrânia

Ney Lopes*

28 de março de 2022 | 07h00

Kiev. FOTO: DANIEL LEAL/AFP

Um mês de intensos combates na Ucrânia.

A professora Margarida Mota, licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada do Porto, fez levantamento em números das dezenas de ataques russos a hospitais e clínicas, centenas de mortos, milhares de provas de crimes de guerra, milhões de pessoas em fuga.

Um dos casos mais chocantes foi o ataque a uma maternidade, em Mariupol, de que resultaram três mortos e 17 feridos.

A triste estatística é a seguinte: dez milhões de uma população total de cerca de 45 milhões de pessoas, já foram obrigados a abandonar as suas casas em fuga da guerra.

Este grande êxodo humano — o pior na Europa desde a II Guerra Mundial — transformou muitos ucranianos em deslocados internos e muitos outros em refugiados, acolhidos em outros países.

Há grande dificuldade em apurar, de forma independente, os custos humanos da guerra, nomeadamente no leste do território ucraniano, onde se travam os combates mais intensos.

O total de vítimas deste conflito apuradas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos atinge 902 mortos e 1459 feridos.

A agência da ONU salienta, porém, que as cifras reais deverão ser “consideravelmente superiores”.

Já foram recolhidas 4935 provas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade praticados pela Rússia.

Existe um site no qual qualquer cidadão ucraniano pode registrar evidências de atrocidades cometidas.

Cem por cento é a percentagem de dependência de países como a Somália e o Benin em relação ao trigo cultivado na Rússia e na Ucrânia.

Segundo a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), há 16 países africanos que dependem em mais de 50% do trigo produzido nesses dois países.

Recentemente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para “um furacão de fome e um colapso do sistema alimentar global” em consequência da guerra na Ucrânia.

Onze Parlamentos já assistiram, ainda que de forma virtual, discursos do Presidente da Ucrânia, já com a guerra em curso.

Foram eles, além do Parlamento Europeu, os congressos nacionais do Reino Unido, Polónia, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Israel, Itália, Japão e França.

Dirigindo-se aos deputados japoneses, Volodymyr Zelensky recordou os horrores do uso do nuclear, que os japoneses sofreram na pele em Hiroshima e Nagasaki e os ucranianos em Chernobyl.

Lançou um alerta do que pode também acontecer durante este conflito.

Vinte e seis anos, anos separam os nascimentos de Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.

Mais do que curiosidade, esta diferença de idades determina uma experiência abismal entre o antigo espião russo e o ex-comediante ucraniano, no palco da política.

No ano em que Zelensky nasceu (1978), já Putin escalava posições na secreta soviética (KGB).

Em 1980, foi colocado em Dresden, na Alemanha Oriental, onde assistiu à queda do Muro de Berlim (1989) na primeira fila.

Diante de estatística crescente, só resta aguardar bons resultados das negociações entre russos e ucranianos e chegue o esperado “cessar fogo”.

*Ney Lopes, jornalista, ex-deputado federal, professor de direito constitucional da UFRN, presidiu a CCJ na CF, procurador federal e advogado

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