Os negócios na era da sustentabilidade

Os negócios na era da sustentabilidade

Vitor Mendonça Prado*

12 de agosto de 2021 | 03h30

Vitor Mendonça Prado. FOTO: ANGELO PASTORELLO

Nos últimos tempos, a sociedade vem se pautando pelos modelos mais sustentáveis no dia a dia, seja em organizações, nas relações interpessoais e, até mesmo, em suas residências. Sendo assim, a sigla ESG (Environmental, Social and Governance ou meio ambiente, social e governança) vem dando o que falar nas empresas, por uma postura mais preocupada com o meio ambiente e o que acarreta este universo.

A sigla é usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio, mas, também, pode ser um critério de investimentos. Para quem acha que é necessário escolher entre construir um mundo mais sustentável ou ter bons resultados financeiros em uma empresa, está enganado.

Cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social e adotar melhores práticas de governança são, na verdade, fatores que ajudam no balanço das empresas, e esse é um dos motivos para que o ESG tenha se tornado mais popular.

Um estudo realizado pela consultoria BCG, por exemplo, mostrou que as empresas ao adotarem melhores práticas ambientais, sociais e de governança enxergaram diversos impactos positivos, como maior lucratividade e até uma melhora no seu valor de mercado, ao longo do tempo.

Para entender melhor, os negócios que se comprometem com as melhores práticas de gestão acabam tendo uma operação mais sustentável em diversos aspectos, incluindo o econômico e na gestão de riscos e, como consequência, geram resultados melhores gradativamente.

Contexto histórico

A sigla ESG surgiu pela primeira vez em um relatório de 2005 chamado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”, em tradução livre), resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na ocasião, 20 instituições financeiras de 9 países, incluindo o Brasil, se reuniram para desenvolver diretrizes e recomendações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, serviços de corretagem de títulos e pesquisas relacionadas ao assunto.

A conclusão do relatório foi que a incorporação desses fatores no mercado financeiro gerava mercados mais sustentáveis e melhores resultados para a sociedade.

O significado da sigla ESG

E (environmental, em inglês, ou ambiental, em português):

A letra E da sigla se refere às práticas de uma empresa em relação à conservação do meio-ambiente e sua atuação sobre temas, como:

  • Aquecimento global e emissão de carbono;
  • Poluição do ar e da água;
  • Biodiversidade;
  • Desmatamento;
  • Eficiência energética;
  • Gestão de resíduos;
  • Escassez de água.

S (social, em inglês e português)

Já a letra S diz respeito à relação de uma empresa com as pessoas que fazem parte do seu universo. Por exemplo:

  • Satisfação dos clientes;
  • Proteção de dados e privacidade;
  • Diversidade da equipe;
  • Engajamento dos funcionários;
  • Relacionamento com a comunidade;
  • Respeito aos direitos humanos e às leis trabalhistas.

G (governance, em inglês, ou governança, em português)

Por fim, a letra G se refere à administração de uma empresa. Por exemplo:

  • Composição do Conselho;
  • Estrutura do comitê de auditoria;
  • Conduta corporativa;
  • Remuneração dos executivos;
  • Relação com entidades do governo e políticos;
  • Existência de um canal de denúncias.

*Vitor Mendonça Prado, fundador e sócio-diretor da CAVI Participações e Empreendimentos Ltda, sócio-fundador e advogado do Mendonca Prado Advogados, fundador e CEO do Global Investors Club, sócio-fundador da V7 Coin, sócio-fundador da V7 Coin. Sócio do Êxito – Instituto Latino Americano de Empreendedorismo e Inovação. Representante e mentor da FasterCapital (aceleradora de Dubai), membro da ANPPD – Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados, mentor da BBX Brasil, avaliador e consultor da 100 Open Startups, membro & investidor anjo da FEA Angels, membro da comissão especial para o estudo da legislação em empreendedorismo criativo (Startups) da OAB-SP e consultor de negócios da Methode Consultoria

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