Os mandamentos da gestão de (qualquer) crise

Os mandamentos da gestão de (qualquer) crise

Hugo Neves*

28 de abril de 2020 | 05h30

Hugo Neves. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Vivemos um momento único na história da humanidade. Em meio à pandemia do novo coronavírus, alguns setores da economia precisam seguir em atividade para evitar o colapso no fornecimento de alimentos, remédios e outros itens essenciais à sociedade. Como bombeiros civis, lidamos com sistemas de segurança e resposta a emergências há mais de quatro décadas, sempre focados na preservação da vida e do patrimônio. Para nós, pelejar na prevenção de crises é uma missão quase permanente. Mas, quando elas se instalam, é fundamental saber como agir. Por isso, diante do alto risco de contaminação dos trabalhadores, sugerimos às empresas que precisam seguir operando nesse período que tomem uma série de medidas, visando garantir não só a segurança de todos como também a continuação das operações.

A primeira providência essencial é a criação de um comitê de crise, com profissionais meticulosamente escolhidos por sua tenacidade, agilidade, confiabilidade e, sobretudo, por seu conhecimento em relação a questões que envolvam procedimentos de segurança e prevenção. Esse seleto grupo de colaboradores será responsável pela definição de um plano de ações e pela tomada de decisões de emergência sempre que necessárias. Exatamente por isso, seus membros precisam contar com uma estrutura de comunicação ágil e simplificada.

Imediatamente após a criação do comitê, seus integrantes devem reunir-se – com todos os procedimentos de segurança exigidos pelo momento, claro –, com o objetivo de preparar a empresa da melhor forma possível para todos os cenários possíveis. Se a companhia ainda não contar com planos de contingência estruturados, é necessário criá-los.

De forma conjunta, os membros do comitê precisam avaliar todos os potenciais riscos e esclarecer os mecanismos a serem ativados em caso de necessidade. Para cada nível de impacto na organização e em seus colaboradores, terceirizados e fornecedores deve haver um plano de ações minuciosamente detalhado, com um fluxo de ações e decisões a serem tomadas pelo próprio comitê – ou por algum(ns) de seus membros.

Ao mesmo tempo, deve-se manter uma comunicação direta e transparente com todos os colaboradores. Nesse sentido, é fundamental estabelecer mecanismos eficientes de transmissão de informações para funcionários, terceirizados, clientes e fornecedores – os trabalhadores, especialmente, precisam saber onde, como e quando buscar orientação. Fortalecer o sentido de união de todos os públicos – internos e externos – contra o vírus é uma providência fundamental.

Além da regulação das atividades profissionais, o sistema de comunicação deve ser usado principalmente para analisar as informações públicas sobre a pandemia e, sempre que necessário, emitir avisos de risco e orientações sobre procedimentos de prevenção. Também deve ser utilizado para relembrar os treinamentos já realizados com a equipe, mantendo-a preparada para agir conforme as orientações das autoridades de saúde ou mesmo da própria empresa. Embora as ações de higienização estejam sendo amplamente divulgadas pela imprensa, deve-se reforçá-las internamente – em cada setor, os funcionários precisam saber os locais onde encontrarão álcool gel, por exemplo.

Por último, as empresas que contam com bombeiros civis devem aproveitar o conhecimento desses profissionais, preparando-os de forma diferenciada e colocando-os como referências para a busca de informação e orientação por parte dos demais colaboradores. Treinados para lidar com os mais variados tipos de riscos operacionais – incluindo contaminações por produtos tóxicos –, os bombeiros civis podem atuar como pontas-de-lança na luta contra o coronavírus dentro do ambiente corporativo.

*Hugo Neves, membro do Conselho Administrativo da Sprink

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