Os jovens e os impactos das mudanças climáticas

Os jovens e os impactos das mudanças climáticas

Saulo Pedroso e Lívio Giosa*

10 de novembro de 2021 | 08h55

Saulo Pedroso e Lívio Giosa. FOTOS: DIVULGAÇÃO

A humanidade vive hoje um enorme desafio. A “fotografia” do clima nas diversas regiões do mundo nos coloca em situação de perplexidade: incêndios proliferando em vários países, inundações em outros com chuvas torrenciais, seca nunca vista, ondas de calor intenso sufocando as pessoas, taxas negativas de temperatura em muitos pontos do mapa mundi…

E estas situações vêm se repetindo há vários anos e seguidamente.

Os cientistas se arrojam em diagnosticar e prever piores momentos.

O Painel Intergovernamental sobre o Clima da ONU (IPCC) acaba de divulgar seu Relatório tão esperado.

E as conclusões são catastróficas: há uma forte tendência de aumento da temperatura do planeta e de eventos extremos, fatos estes que levarão à proliferação de inúmeras catástrofes na Terra.

Estamos lidando com o impacto de uma destruição climática anunciada na vida real e em tempo real.

O aquecimento leva a um maior derretimento do gelo e a água, em decorrência, despejada nos mares, pode elevar o volume de tal ordem cobrindo ilhas e cidades. Ainda, ameaça a estabilidade das correntes marítimas, responsáveis pela manutenção do regime de chuvas em nível global.

A versão anterior do texto do IPCC, em 2013, conclui que são os humanos a causa dominante do aquecimento do planeta desde 1950. Foram as conclusões daquele Relatório que levaram à assinatura do Acordo do Clima de Paris, em 2015, que obriga governos mundiais a limitar o aquecimento do planeta a, no máximo, 2ºC.

O que fazer então para tentar minimizar esta situação?

Só há duas saídas: mudança de comportamento das pessoas e empresas para a redução das emissões do carbono e gases de efeito estufa e plantio obsessivo e intenso de árvores.

Os gestores públicos têm uma enorme responsabilidade ao defenderem a execução das metas de redução de emissões de carbono, bem como de inspirar uma agenda positiva, tanto no executivo como no legislativo, atraindo a sociedade para práticas ambientalmente responsáveis e de consumo consciente.

Enquanto isto, nossos jovens observam…

A próxima geração é a parte interessada mais importante e a mais afetada quando se fala sobre o nosso futuro global.

Segundo Klaus Schwab, fundador e chair man executivo do Fórum Econômico Global, quanto à limitação do aquecimento global, os jovens estão exigindo a suspensão da exploração, do desenvolvimento e do funcionamento de carvão, petróleo e gás, bem como pedindo às empresas que substituam quaisquer diretores corporativos que não estejam dispostos e engajados a fazer a transição para fontes de energia mais limpas.

Além de “suplicar” para evitar a queda absoluta da retirada de árvores em várias regiões do planeta…

Na cabeça dos jovens, vem uma indagação permanente: qual a minha idade em 2040, ou 2050, ou até na última metade do século quando todas estas catástrofes estão previstas ocorrerem?

E, assim, surgem as suas inquietações inerentes à possível viabilidade de vida na Terra!

Nossa “nave mãe” está doente e precisa ser tratada e acolhida de uma forma e direção.

Os jovens de hoje estão envelhecendo em um mundo assolado por crises.

Estamos vivendo juntos em uma aldeia global e somente com todos os objetivos da preservação ambiental, poderemos criar o clima necessário para um mundo pacífico e sustentável.

*Saulo Pedroso, presidente da Câmara Municipal da Estância de Atibaia (2012) e  prefeito da Estância de Atibaia (2013/2016 e 2017-2020)

*Lívio Giosa, presidente do Conselho Nacional de Defesa Ambiental (CNDA),  coordenador-geral do Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental (IRES) e  presidente do Centro Nacional de Modernização Ambiental (CENAM)

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