Os impactos do coronavírus na economia e nos aposentados e pensionistas do INSS

Os impactos do coronavírus na economia e nos aposentados e pensionistas do INSS

Roberto Braga*

25 de abril de 2020 | 04h30

Roberto Braga. FOTO: DIVULGAÇÃO

O aparecimento do novo coronavírus (covid-19) tem impactado negativamente o cenário econômico e causado muitos danos para as pessoas físicas e jurídicas. Para minimizar os prejuízos e ajudar a população a se prevenir contra a doença, o Governo tem adotado algumas práticas emergenciais, principalmente para o público que faz parte do grupo de risco, como é o caso dos aposentados e pensionistas.

Uma das medidas está relacionada às regras do empréstimo consignado INSS. A partir de agora, o prazo máximo de parcelamento desta linha de crédito será ampliado de seis para sete anos (84 meses). Essa alteração irá permitir que os aposentados e pensionistas tenham a possibilidade de pagar uma parcela menor do empréstimo durante um período maior, minimizando o impacto no orçamento final. As medidas vão além: as taxas de juros nominal do empréstimo consignado também serão reduzidas, passando de 2,08% para 1,80% ao mês e no cartão de crédito consignado foi de 3% para 2,70% ao mês.

Outra mudança sugerida, mas ainda está sendo estudada pelo Governo e esperando a confirmação via projeto de lei, é o aumento da margem consignável para os beneficiários INSS que, caso a mudança seja aprovada passaria de 35% (30% para empréstimo e 5% para cartão consignado) para 40% (35% e 5%, respectivamente). Além disso, outras iniciativas das instituições financeiras assim como projetos de lei para a prorrogação ou suspensão do desconto das parcelas, por determinado período, também estão em pauta.

Diante de tantas incertezas políticas e econômicas, muitos se questionam sobre qual será o impacto dessas novas medidas na economia. Posso afirmar para vocês que com esse novo cenário, os aposentados e pensionistas terão condições mais flexíveis e vantajosas na contratação dessa modalidade. Um dos objetivos do Governo é resguardar aqueles que são mais vulneráveis perante a epidemia, oferecer novas opções de crédito para minimizar prejuízos financeiros e ajudar em caso de emergência, seja para compra de medicamentos, tratamentos ou demais necessidades. E com os juros baixos e prazo alongado, o consignado é uma das alternativas mais viáveis.

De qualquer forma, essas transformações vão ajudar a movimentar a economia, teremos mais dinheiro em circulação, o consumo da população deve aumentar, relações comerciais serão estabelecidas – pontos que são extremamente importantes em momentos de crise. Além disso, o crédito, em geral, dá um tempo maior para a economia e as empresas se recuperarem e, olhando para o futuro, podem trazer o fôlego necessário para os próximos passos.

Mesmo diante de tantos percalços, essas mudanças chegam em boa hora para dar um respiro para quem precisa e aquecer o mercado como um todo. À medida que as novas regras são aprovadas, aposentados e pensionistas que estavam tomados em suas linhas de crédito tem novas possibilidades para situações emergenciais. Porém, é preciso ter muita cautela, bom planejamento e usar esses valores com consciência.

Dessa maneira, não recomendo que as pessoas optem por utilizar essa linha de crédito apenas porque ela está disponível ou por ser uma boa oportunidade. O uso do crédito deve ser feito com racionalidade, ou seja, contratar um novo empréstimo só porque as condições estão boas, talvez não faça sentido. Se não há uma necessidade a curto prazo, é melhor deixar para solicitar o empréstimo em um momento futuro.

Por fim, acredito que tudo isso fará com que melhoremos os produtos e serviços que são oferecidos para os aposentados e pensionistas, impactando positivamente suas rotinas. Além disso, outra lição que levamos desse período de crise é a importância do uso da tecnologia e o quanto as plataformas digitais podem facilitar tantos processos, eliminando a necessidade de locomoção.

*Roberto Braga é cofundador da bxblue

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