Os impactos da pandemia no mercado odontológico e como o teleatendimento se tornou a promessa do segmento

Os impactos da pandemia no mercado odontológico e como o teleatendimento se tornou a promessa do segmento

Bruno Magalhães*

17 de dezembro de 2020 | 03h30

Bruno Magalhães. FOTO: DIVULGAÇÃO

Durante a pandemia muitos mercados foram impactados. As empresas tiveram que se adaptar, tendências em diferentes segmentos foram antecipadas, tudo para que a economia não parasse por completo em todo o mundo. Entretanto, esse cenário de paralisação por completo não foi o caso das clínicas odontológicas.

Parte dos serviços essenciais, os consultórios continuaram suas atividades, obviamente com mais protocolos de segurança e seguindo as recomendações do CFO (Conselho Federal de Odontologia) de priorizar os atendimentos emergenciais e aumentar o tempo de agendamento entre um paciente e outro. Afinal, a odontologia é considerada uma das profissões com maior risco de contágio por covid-19 devido à proximidade de contato com pacientes, saliva e sangue.

Segundo pesquisa feita pelo Conselho Federal de Odontologia entre junho e julho, 82% dos cirurgiões-dentistas continuaram exercendo a odontologia durante a pandemia, mas, seguindo os cuidados de biossegurança recomendados pela entidade, como, redução do horário de atendimento, redução no número de pacientes e o uso de todos os equipamentos de segurança, como máscaras e luvas, o que já era uma prática dos profissionais mesmo antes da pandemia.

Os profissionais da rede pública e privada sentiram uma queda considerável nos atendimentos. O Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), fez uma pesquisa onde constataram que as consultas odontológicas na rede pública de saúde caíram, em média, 83,5%, no período em que o Brasil era declarado o novo epicentro da pandemia do novo coronavírus e a curva epidêmica de contágio subia. Na rede privada também houve queda nos atendimentos. Os maiores índices de queda dos atendimentos odontológicos na rede pública e privada foram no Nordeste, com 88,5% e 83,1%, respectivamente.

O impacto da pandemia na rotina dos profissionais foi alto, gerando muitos gastos financeiros. Muitos tiveram que fazer mudanças na infraestrutura física de sua clínica, como reformas, restrição a acompanhantes, afastamento de cadeiras; compra de equipamentos de proteção individuais (EPIs) diferentes dos habituais, mais caros e desconfortáveis, como máscaras N95, escudos faciais, jalecos descartáveis. Também foi necessário adotar novos procedimentos na triagem de pacientes, como medir a temperatura, aplicar questionário específico para covid-19, bochechos antimicrobianos.

A exemplo de outros segmentos, o mercado odontológico e de franquias odontológicas, apesar de não ter ficado completamente paralisado, também foi impactado e os dentistas tiveram que buscar caminhos para manter suas receitas. Uma das alternativas foi oferecer o teleatendimento, que nada mais é do que dar um suporte diagnóstico de forma remota.

O teleatendimento já é conhecido de muitos, mas, o serviço ainda gera muitas dúvidas: Será que é eficaz? Não está menosprezando o trabalho do dentista? Não é arriscado o paciente fazer essa avaliação de casa? E a minha resposta para esses questionamentos é NÃO!

A tecnologia ajuda muito em todos os aspectos e é uma solução que pode incluir e conectar, então, porque não usa-la para incluir e democratizar a odontologia? Com o teleatendimento os serviços odontológicos podem ser levados para qualquer lugar do país. A Internet amplia e democratiza o serviço, em especial por não expor o paciente ao contágio do COVID-19, o que deixa o paciente mais seguro.

Contudo, é necessário que o profissional observe os efeitos do teleatendimento no seu dia a dia. A gestão de uma clínica inclui o papel diário de estar junto aos seus pacientes. A orientação remota é só a ponta do relacionamento. O dentista precisa estar atento para acolher, amparar e atender as necessidades de cada paciente, dentro e fora da clínica.

É imprescindível compreender o novo cenário e entender que a saúde agora será hiper valorizada e, com isso, o teleatendimento será cada vez mais comum. O odontologista precisa não apenas seguir o procedimento, mas atuar com feeling, e sempre observar as tendências e inovações do momento.

A pandemia trouxe a possibilidade de todos pensarem melhor sobre seus negócios, fazer as mudanças que eram necessárias, quem estava estagnado ou em uma situação cômoda, por sobrevivência, também teve que se mexer e buscar novas opções para se manter ativo no mercado. No caso da odontologia, pontos como a queda nos atendimentos e o medo da contaminação que muitos ainda têm, fazem com que os profissionais continuem buscando novas alternativas e oferecendo um atendimento cada vez mais personalizado e próximo do paciente.

*Bruno Magalhães, sócio fundador da GOU Odonto

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