Os impactos da pandemia no Brasil e a relação do brasileiro com as finanças

Os impactos da pandemia no Brasil e a relação do brasileiro com as finanças

Silvio Frison*

19 de julho de 2022 | 08h00

Silvio Frison. FOTO: DIVULGAÇÃO

2022 começou como o ano das possibilidades, do recomeço, tendo em vista o enfraquecimento da pandemia do Covid-19 no final do ano passado. Mas depois de alguns meses do novo ano, tudo ainda parece incerto. A guerra na Europa entre Rússia e Ucrânia, o vírus resistindo e até aumentando em algumas regiões, além do ressurgimento de algumas doenças que acreditávamos estarem erradicadas têm gerado forte impacto na economia mundial e na vida financeira dos brasileiros.

Para tentar manter a ordem das finanças pessoais, muitas pessoas cortaram gastos desnecessários e passaram a prestar mais atenção no planejamento, na necessidade de planejar as finanças da família. Mesmo assim, ao final de 2021, o volume de dinheiro guardado caiu significativamente.

Há anos não registrávamos tamanha inflação em produtos que fazem parte do dia a dia da maior parte da população (alimentação, combustível, energia, por exemplo), consumindo parte significativa da renda do trabalhador, que por sinal também sofreu redução durante a pandemia. Este cenário fez com que houvesse transformações nos hábitos de consumo, lazer e comportamento. O brasileiro aumentou sua disposição para empreender, buscando renda por conta própria, reduziu o uso do dinheiro vivo, substituindo-o pelo PIX, passou a priorizar os gastos em casa, como TVs por assinatura, e reduziu drasticamente os investimentos com lazer externo. Quando se compara as principais despesas realizadas em 2021 ao ano de 2020, constata-se que o aumento dos gastos se concentra em supermercados, hipermercados e farmácias em seguida.

Por conta deste cenário, o nível de endividamento vem batendo recorde atrás de recorde e isto gera uma preocupação enorme tanto ao olharmos para a economia do país, como também para cada pessoa que se encontra com seu “nome sujo”, já que além de limitar o acesso ao crédito, a inadimplência tem um peso cultural muito forte já que aprendemos desde pequeno que nosso nome é tudo que temos.

Outro aspecto impactado foi a saúde mental por conta dos reflexos com preocupações financeiras, com a família e com o futuro. Muitos brasileiros relatam ter problemas de concentração para realizar tarefas diárias, mais pensamentos negativos devido a uma situação financeira complicada e muitos sofrem crise de ansiedade pelo excesso de preocupações.

Para tentar reduzir os impactos da pandemia e da intensificação da crise pela guerra na Europa, o governo, por meio da Caixa Econômica Federal liberou o “Saque Emergencial” do FGTS 2022 de até R$ 1 mil reais, de acordo com a data de nascimento de cada um.

Para muitos brasileiros, o saque pode representar o recomeço já que quase metade da população que possui dívida pretende usar o saque emergencial do FGTS para limpar seu nome. E, embora já houvesse a possibilidade de utilizar o FGTS como garantia para solicitar empréstimo com taxas menores para conseguir quitar dívidas de maneira mais tranquila, pouquíssimas pessoas fazem uso desta oportunidade.

O fato do Saque Emergencial despertar o público para a possibilidade de adquirir empréstimos atrelados ao FGTS, nos mostra algo bastante curioso: apesar da fama, o FGTS não é verdadeiramente conhecido pelo brasileiro. Aos 55 anos de idade, o respeitado Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ainda gera muitas dúvidas. Embora quase todos os brasileiros conheçam o Fundo, nem a metade da população conhece em que condições podem sacar o próprio dinheiro e não sabem como consultar seu saldo junto à Caixa Econômica Federal, instituição financeira responsável pela administração do Fundo vigente desde janeiro de 1967.

Não adianta reclamar ou esperar que este tipo de conhecimento chegue à grande população. Esta é uma ótima oportunidade para que nós, empresas da área financeira, possamos contribuir com informação útil, compartilhando os melhores recursos disponíveis para que todas as famílias possam garantir uma boa saúde financeira e, assim, uma vida mais tranquila e feliz.

*Silvio Frison, vice-presidente da Serasa

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