‘Os empresários foram punidos ou receberam um prêmio?’, protesta OAB sobre benefícios a delatores

‘Os empresários foram punidos ou receberam um prêmio?’, protesta OAB sobre benefícios a delatores

Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil Cláudio Lamachia avalia situação como 'um verdadeiro escárnio'

Ligia Formenti, de Brasília

22 de maio de 2017 | 17h52

Joesley Batista. Foto: Jonne Roriz/Estadão

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Lamachia, classificou de ‘verdadeiro escárnio’ os benefícios dados aos empresários Joesley e Wesley Batista, acionistas da JBS que firmaram acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Depois do acordo eles foram autorizados a sair do País. Joesley está morando com a família em Nova York. Ele é o pivô da maior crise política já enfrentada pelo governo Michel Temer, alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, obstrução da investigação e participação em organização criminosa.

Joesley gravou conversa com Temer na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu.

O áudio, entregue pelo empresário à Procuradoria, mostra o empresário admitindo a Temer uma sequência de ilícitos penais, como o mensalinho de R$ 50 mil para um procurador da República e a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, preso na Lava Jato desde outubro de 2016.

Durante a entrevista coletiva nesta segunda-feira, 22, na qual anunciou que a OAB vai protocolar nos próximos dias pedido de impeachment de Temer, o presidente da OAB criticou os termos do acordo com os irmãos da JBS, ‘um deboche’, em sua avaliação.

“É um verdadeiro escárnio. Os dois empresários foram punidos ou receberam um prêmio? Eles continuam com uma vida invejável e o povo brasileiro não tem saúde, educação. Vivemos uma crise política e moral”, disse Lamachia.

O presidente da OAB afirmou estar ‘incomodado’ com essa situação e que existe possibilidade de a entidade máxima da Advocacia questionar os benefícios concedidos a Joesley e a Wesley.

“Como há advogados de todos os lados, temos de fazer isso com cuidado. Mas o fato é que a situação é gravíssima. Um deboche para sociedade.”

COM A PALAVRA, MICHEL TEMER

“A OAB tem o pleno direito de expressar sua opinião. No entanto, o caso não se concretizou. Prova disso são as empresas do sr. Joesley que não conseguiram nenhum benefício junto ao Cade”, informou a Secretaria de Comunicação da Presidência.

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