Os desafios para a reabertura das escolas

Os desafios para a reabertura das escolas

Célia Bittencourt*

12 de julho de 2020 | 06h00

Célia Bittencourt. FOTO: DIVULGAÇÃO

O enfrentamento à pandemia do novo Coronavírus continua. Enquanto alguns municípios e estados brasileiros estão iniciando análises e programando cronogramas para o retorno do ensino presencial, as escolas iniciam o novo desafio para incluir cuidados para a reabertura, tratar desigualdades no aprendizado e acompanhar a saúde mental de professores e alunos.

Muitos podem imaginar que tudo estará resolvido com a reabertura das escolas, mas a verdade é que essa será mais uma mudança na vida dos estudantes. Depois de meses em casa, eles terão que voltar à rotina de acordar cedo e a se relacionar fisicamente com professores e colegas em um cenário que ainda exigirá cuidados de prevenção ao vírus.

Do ponto de vista do planejamento pedagógico, o primeiro aspecto a ser observado e trabalhado é o acadêmico. É preciso replanejar todo o calendário escolar, repensar as avaliações escolares e criar maneiras de dar continuidade à transição e manutenção em paralelo entre o ensino remoto e o ensino presencial. Todos esses planos devem ser traçados a médio e longo prazos, pois o futuro da reabertura das escolas, infelizmente, ainda é incerto.

Tendo isso em vista, é fundamental pensar em diferentes maneiras de utilizar a estrutura da escola, combinando tecnologias e seleção de conteúdos já existentes (incluindo aqueles trabalhados remotamente durante a pandemia), para que o processo de aprendizagem seja o melhor possível, isso sem esquecer de manter a família engajada nesse novo cenário que também terá suas “novidades”.

Além de cumprir as 800 horas de aulas estabelecidas pelo MEC, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda que, no retorno às aulas presenciais, as escolas façam uma avaliação diagnóstica de cada estudante para verificar o que foi, de fato, aprendido no período de isolamento. Isso colocará em evidência os aspectos fortes e fracos de cada aluno, sendo capaz de precisar o ponto adequado de entrada em uma sequência de aprendizagem. A partir daí, será possível determinar o modo de ensino mais adequado e a forma do replanejamento dos conteúdos, sem esquecer o referencial pedagógico no desenvolvimento das habilidades em cada componente curricular.

Considerando que as escolas são feitas por pessoas, é preciso atentar-se ao acolhimento socioemocional dos alunos e como será feito o processo de recuperação e aprofundamento da aprendizagem. Uma das contribuições da escola nesse apoio aos estudantes é promover a reflexão sobre essa crise vivenciada por todos, seja pelos sentimentos que ela pode suscitar, seja porque o desenvolvimento do pensamento crítico é fundamental nessa fase. Quando possível, é válido realizar rodas de conversa sobre assuntos cotidianos, não necessariamente relacionados a conteúdos da escola, mas que possibilitem aos alunos um momento de interação social e de contato com outras questões que não sejam do ambiente doméstico ou relativos à doença.

Outro ponto extremamente importante para a reabertura das escolas pós-pandemia é o de sanitização. Para barrar a proliferação desse agente patológico na escola, o ambiente precisa ter seus espaços reorganizados. Os intervalos precisam passar por adaptações para que sejam evitadas aglomerações, além de haver restrição de visitas e estabelecimento de diretrizes de limpeza e higiene muito rígidas e claras.

O plano publicado pela Federação Nacional das Escolas Particulares listou 17 medidas sanitárias a serem seguidas pelas instituições de ensino da rede particular, mas que podem ser seguidas por qualquer escola e inclusive ser adaptadas para uso em organizações de outros segmentos. Os destaques ficam por conta de organizar todos os espaços para que os estudantes mantenham uma distância mínima de 1 metro de qualquer pessoa, a disponibilização de frascos de álcool em gel em todos os locais, uso obrigatório de máscaras e de troca a cada 3 horas para professores e alunos, e uso de calçados extras em sala de aula.

O fato é que não superamos desafios complicados, ainda vivenciamos tempos difíceis e novos obstáculos ainda surgirão até que tudo se normalize, ou uma nova realidade para a educação seja devidamente estruturada. Em meio a todo esse processo, uma coisa é certa: todos temos conquistado experiências. Esses conhecimentos precisam ser compartilhados para que esse período conturbado seja encarado com o menor desgaste possível.

Para que o processo de adaptação seja realizado da melhor forma possível, é essencial extrair o máximo potencial da sua equipe e dos colegas de trabalho, criando meios pelos quais eles possam trocar as boas práticas aprendidas e dialoguem. Isso sempre foi importante para as instituições de ensino, e em tempos de distanciamento social não deixou de ser e será ainda mais relevante para a reabertura das escolas.

*Célia Bittencourt, assessora pedagógica do SAE Digital

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