Os desafios do trânsito pós-pandemia

Os desafios do trânsito pós-pandemia

Alysson Coimbra*

12 de maio de 2021 | 17h42

Alysson Coimbra de Souza Carvalho. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Desde 2020 a saúde mental e psicológica do brasileiro sofreu mudanças significativas. Ansiedade, depressão, estresse e medo passaram a atingir cada vez mais pessoas. São muitos os relatos de médicos examinadores de trânsito que se deparam com motoristas mais desatentos, irritados, com dificuldade de concentração e em uma condição física preocupante.

Quando a saúde falha, os riscos se multiplicam. Uma pesquisa feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que 90% dos acidentes de trânsito foram provocados pelo fator humano.

Em breve, veremos o aumento no número de acidentes e de mortes porque a essa degradação da saúde se somam os efeitos da flexibilização das leis de trânsito, da redução da fiscalização e das péssimas condições de conservação das nossas rodovias.

No topo do ranking dos países com o trânsito mais violento, o Brasil tem uma média anual de 40 mil mortes provocadas por acidentes.

Neste Maio Amarelo, mais do que nunca, precisamos conscientizar a sociedade e os entes públicos a cuidarem da saúde física e mental dos condutores, investirem na prevenção de acidentes e na educação para um trânsito seguro.

O Brasil é exemplo no combate à combinação criminosa de álcool e direção. Há mais de uma década, especialistas forneceram as diretrizes para uma lei exemplar que pune motoristas que dirigem alcoolizados. Com o passar dos anos, a legislação foi aperfeiçoada e, com as recentes modificações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), demos mais um passo para criminalizar o condutor que, alcoolizado, provoca mortes no trânsito.

A Lei Seca é um modelo para o mundo, salvou mais de 40 mil vidas desde sua implantação no Brasil e provou que a prevenção é o melhor caminho para salvar vidas no trânsito.

Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária, investimentos de R$ 500 milhões em mecanismos simples de segurança nas rodovias reduziriam em 50% o número de mortes e em 30% o número de feridos.

Custear o atendimento dos feridos e os danos provocados pelas mortes precoces, no entanto, custam R$ 220 bilhões por ano ao Brasil. É mais barato evitar as mortes. A decisão é fácil.

*Alysson Coimbra é diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra) e coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito

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