Os desafios do Open Banking para as instituições financeiras

Os desafios do Open Banking para as instituições financeiras

Rogério Melfi*

24 de dezembro de 2020 | 04h00

Rogério Melfi. FOTO: DIVULGAÇÃO

A partir do comunicado 36.480/20, o Banco Central sinalizou que teremos centenas de instituições financeiras no ecossistema de Open Banking. Nesse novo ambiente, os bancos terão a possibilidade de aumentar a sua base de clientes e monetizar a sua infraestrutura tecnológica. Porém para aproveitar essa oportunidade, eles terão que enfrentar os desafios impostos pela implementação do Open Banking que, se não forem endereçados de maneira correta, poderão aumentar significativamente os custos dessa empreitada.

O Reino Unido, por exemplo, tinha a expectativa de que as suas maiores instituições financeiras pudessem implementar o Open Banking em um ano e que custasse cerca de 1 milhão de libras por instituição. No entanto, o projeto demorou dois anos para ser concluído e gerou custos de 1,5 bilhão de libras para os nove maiores bancos. Em outras palavras, este é um projeto complexo.

O primeiro desafio a ser enfrentado pelos bancos é tornar as bases de dados dos seus clientes disponíveis para que eles possam compartilhar as suas informações com as empresas que desejarem. Isso não é uma tarefa trivial, pois a maioria dos sistemas dos bancos foram projetados dando maior peso para questões de segurança do que para elementos de conectividade.

O segundo ponto a ser encarado pelas instituições financeiras é a exposição das informações dos clientes no ecossistema de Open Banking, a qual é o processo mais complexo dessa jornada, pois ela envolve não só o desenvolvimento de APIs, mas também de outros elementos auxiliares, como por exemplo, o reports regulatórios, integrações com diretório de participantes e a gestão de consentimento.

As APIs de exposição não só terão que garantir a transmissão segura dos dados entre as instituições financeiras e as empresas que os clientes desejem trabalhar, mas também seguir os padrões de desempenho e de formato das informações definidos pelo regulador. Em outras palavras, o desenvolvimento dessas APIs é um processo contínuo. No Reino Unido, por exemplo, o padrão das APIs já foi atualizado por oito vezes. Isso leva os bancos a utilizarem seus recursos financeiros e humanos para atender a regulação ao invés de focar no desenvolvimento de novos produtos e serviços para os seus clientes.

No caso do Brasil, a regulação permite que as instituições financeiras repassem parte de seus custos para as empresas que utilizam as suas APIs, mas isso também significa que os bancos terão que acoplar às suas APIs funcionalidades de cobrança, o que não é uma tarefa simples.

Por fim, os bancos terão que desenvolver procedimentos para verificar a identidade e as autorizações das empresas prestadoras de serviços que desejam acessar as informações dos seus clientes. Além disso, as instituições financeiras terão que criar ferramentas para facilitar o processo de consentimento de acesso as informações de modo que seus clientes entendam facilmente quais dados estão sendo compartilhados e com qual ou quais empresas.

Em suma, o projeto de construção do Open Banking é complexo e custoso. No entanto, as instituições financeiras poderão reduzir significativamente os seus custos se fizerem parcerias com empresas de tecnologia que, não só tenham experiência com a implementação do Open Banking, mas também que estejam dispostas a manter as suas APIs em conformidade com a regulação, permitindo a eles foco e investimentos precisos em novas soluções que gerem valor a seus consumidores.

*Rogério Melfi, consultor de Novas Plataformas da TecBan

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