Os desafios das mulheres à frente de startups

Os desafios das mulheres à frente de startups

Cláudia Galvão*

11 de fevereiro de 2021 | 03h45

Cláudia Galvão. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups) apenas 12,6% das startups brasileiras foram fundadas por mulheres. Se já é difícil encontrar mulheres no comando de empresas disruptivas, outro desafio maior ainda para nós é conseguir investimento.  De acordo com o Sebrae, apesar de serem menos inadimplentes que os homens (3,7% contra 4,2% de empresários homens), as empresárias mulheres pagam taxas de juros maiores (34,6% contra 31,1% de empresários homens). E, por serem maioria à frente dos pequenos negócios, as mulheres também recebem menos investimentos e têm menor acesso às linhas de crédito mais vantajosas.

Preconceito de gênero: um dos maiores desafios do empreendedorismo feminino

Eu senti como é mais complexo conseguir investimento para um projeto inovador liderado por uma mulher. Assim que fundei a startup responsável pela criação da tecnologia de cheiro digital, iniciei uma busca por investidores no exterior. Foi então que, em um desses países, descobri que meu projeto não havia sido selecionado para receber investimentos devido à ideia de que “projetos e empresas encabeçados por mulheres não passam muita confiança”. Logo, além das dificuldades profissionais, que são naturais no mundo corporativo, eu precisei lidar e superar o preconceito.

A inserção da figura feminina dentro do setor 

Estamos em pleno século XXI e cercados pela tecnologia. As crianças nascem praticamente com um smartphone na mão e se desenvolvem, seja no ambiente escolar ou dentro de casa, integradas com o que há de mais moderno no setor.

Dessa forma, está caindo por terra uma famosa dualidade: divisões entre brincadeiras de menino e de menina. Perdeu força a ideia de que somente meninos ficam no vídeo game enquanto as meninas brincam de “mamãe e filhinha”. Essa mudança, que pode até parecer superficial em um primeiro momento, influencia diretamente a escolha futura de uma profissão.

A brincadeira de hoje, em grande parte das vezes, se baseia na tecnologia, seja através de tablets ou smartphones, games, etc. Através da internet as crianças e adolescentes buscam o conteúdo do seu interesse. A tecnologia não diferencia gênero, o que é muito libertador, e abre as portas para que as meninas possam ser o que quiserem, no futuro.

Uma perspectiva otimista para o futuro

Embora atualmente ainda tenhamos poucas mulheres inseridas no mercado da tecnologia – de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 20% dos profissionais que atuam na área de T.I são mulheres – creio que este cenário tende a mudar com certa agilidade de agora em diante, com base nos movimentos de inclusão de gênero que ganham força em toda a sociedade e no rompimento da dualidade descrita acima sobre profissões estereotipadas como masculinas e femininas.

A tecnologia do cheiro digital é um exemplo prático de avanço tecnológico desenvolvido por uma mulher que pode impactar direta e indiretamente muitas outras, pois é um dispositivo que chegará a milhares de brasileiras que atuam como consultoras de beleza e que realizam a venda direta e retiram parte ou a totalidade da renda familiar dessa função.

Espero que cada vez mais e mais mulheres tenham espaço e recursos para poder desenvolver e concretizar seus ideais, oferecendo ao mundo sua contribuição em um segmento que está sempre a mil por hora.

*Cláudia Galvão, fundadora da Noar, startup de digital scent tech

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