Os ‘criminosos’ e os ‘monstros’ de Renan

Os ‘criminosos’ e os ‘monstros’ de Renan

Senador pelo PMDB, durante sabatina de Raquel Dodge para a Procuradoria-Geral da República, ataca 'esse modelo político-eleitoral de financiamento' e diz que o País vive 'quase uma corrupção generalizada, sistêmica'

Da Redação

12 de julho de 2017 | 14h05

Renan Calheiros. Foto: EFE/Joédson Alves

O senador Renan Calheiros (PMDB/AL), alvo de inquéritos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, disse nesta quarta-feira, 12, que o País vive ‘uma corrupção generalizada, sistêmica’.

“Mas mesmo assim não podemos generalizar, porque o modelo é apodrecido, todos que participaram desse modelo cometeram os mesmos tipos de crime”, seguiu Renan, durante a sabatina da subprocuradora-geral da República Raquel Dodge, escolhida pelo presidente Michel Temer para a sucessão de Rodrigo Janot na cadeira de procurador-geral da República.

Renan apresentou uma espécie de fatura para o Ministério Público, dirigindo-se à Raquel.

Ele afirmou que teve participação direta ‘nos avanços institucionais’ do Ministério Público.

“Com relação ao Ministério Público carrego comigo alguns orgulhos. Fui constituinte, ajudei a tirar o Ministério Público do papel, tudo o que significou na prática avanços contou com a nossa participação, toda a legislação que tem possibilitado o Ministério Público a cumprir histórico papel.”

“Sempre defendi a Operação Lava Jato, como de resto sempre defendi todas as operações. Acho que a Lava Jato vai possibilitar ao Brasil um avanço civilizatório. Mas não quero concordar com os excessos da operação e não vou concordar nem com os excessos de qualquer outra operação.”

Além da ‘conta’ ao Ministério Público, Renan desfiou uma sucessão de queixas.

Alega ter sido alvo de perseguições de procuradores.

“Não acredito que o Estado de direito possa comportar esse tipo de coisa, muito mais com aquelas pessoas que se dedicaram para dotar o Ministério Público daquilo que o Ministério Público precisa para cumprir o seu papel.”

Se declarou um defensor até da delação premiada. “Eu sempre defendi a delação premiada, quando não se usava isso no Brasil.

“O Brasil vive momento dificílimo do ponto de vista da sua representação política. Esse modelo político-eleitoral de financiamento produziu criminosos e monstros. Vivemos quase uma corrupção generalizada, sistêmica, mas mesmo assim não podemos generalizar. Não dá para generalizar porque o modelo é apodrecido.”

Despejou mais críticas ao Ministério Público. “Como pode o Ministério Público querer, em algumas circunstâncias, dizer o que é crime e o que não é no financiamento eleitoral? O que é propina? O que é crime?”

Afirmou que o senado ‘é a instituição mais transparente do Brasil’.

“Isso me dá um orgulho muito grande.”

E condenou ‘o poder do Ministério Públco de fazer anistias’.

“A Constituição é clara, só quem pode fazer anistia no Brasil é o poder Legislativo. O Ministério Público cobra uma multa do Joesley (Batista, executivo da JBS) e do Eduardo Cunha, ou de quem for, e diz que o que resta do seu patrimônio é legal, ele, portanto, está sendo anistiado, usurpando dessa forma prerrogativa do Congresso.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoRenan Calheiros

Tendências: