Os Conselhos e a diversidade

Os Conselhos e a diversidade

Maria Fernanda Menin*

22 de março de 2021 | 06h00

Maria Fernanda Menin. FOTO: DIVULGAÇÃO

Março é o mês da mulher e é, também, uma oportunidade para renovação dos Conselhos de Administração das empresas, por ser o período de convocação das assembleias de acionistas. Pode-se dizer, portanto, que este é o momento ideal para colocar em pauta a discussão sobre a diversidade nas empresas. Focando na efeméride do mês, é preciso insistir que: a mulher deve, sim, assumir posições relevantes dentro das empresas, inclusive nos Conselhos.

No vernáculo, a palavra “conselho” significa “opinião, parecer”. No contexto empresarial, o Conselho de Administração é o órgão responsável pelo direcionamento estratégico e pela tomada de decisões. Sendo assim, é imperioso que este órgão máximo da administração possa contar com uma diversidade entre os seus membros, que vão contribuir, cada qual, com experiências e pontos de vista diferentes, resultando numa maior assertividade da estratégia empresarial.

De acordo com os dados do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), apenas 11,5% dos cargos em Conselhos de Administração de empresas brasileiras de capital aberto são ocupados por mulheres. Enquanto a média mundial é de 23,8%. Além disso, um estudo recente da Teva Índices, em parceria com a corretora Easynvest, revelou que só existe uma empresa na Bolsa de Valores de São Paulo – B3 com mais mulheres conselheiras do que homens e que das 17 empresas que abriram capital em 2020, oito ainda não têm nenhuma mulher no Conselho de Administração.

Algumas empresas já começaram a promover mudanças para aumentar a participação de mulheres nos seus quadros, no entanto, é preciso aumentar também a sua participação em posições específicas, estratégicas e diretivas. Importante asseverar que a baixa participação de mulheres em posições de decisão nada tem a ver com a sua qualificação: as mulheres ocupam 55,1% das cadeiras universitárias e 53,5% das de pós-graduação, de acordo com o IBGE.

Ademais, uma diversidade maior ou menor também diz muito sobre a agenda de ESG – Environmental, Social, Governance. Sabe-se que a responsabilidade social (S) e as boas praticas de governança (G) são elementos fundamentais para atrair investimentos e consolidar a reputação empresarial. Ou seja, uma empresa com mais diversidade é potencialmente mais lucrativa!

Voltando às mulheres, um estudo recente do Bank of America revela que a equidade de gênero pode adicionar USD$ 28 trilhões à economia global, embora se deva registrar que a equidade de gênero no ambiente de trabalho ainda é uma realidade muito distante. Se é verdade que ainda temos um longo caminho para garantir a equidade de gênero nas empresas, também é preciso reconhecer que o tema entrou na agenda de forma definitiva.

Que em 2021 e nos próximos anos a temática da diversidade nas empresas possa ganhar ainda mais tração, com ações concretas e aprimoramento das políticas de recrutamento, desenvolvimento e retenção.

*Maria Fernanda Menin é compliance officer e conselheira da MRV e do Banco Inter

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