Os brasileiros e sua instituição de Estado desde 1648

Os brasileiros e sua instituição de Estado desde 1648

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio*

04 de abril de 2021 | 07h00

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Nem seu, nem dele, nem meu, o nosso Exército Brasileiro (EB), desde 1648, de todos os brasileiros. Ou, talvez, ainda mais apropriado, juntamente com a Marinha e a Aeronáutica, as nossas Forças Armadas, de todos os brasileiros.

Sob o título O brasileiro e suas Forças, escrevi artigo, publicado neste espaço no dia 26 de julho de 2019, no qual ressaltei a missão constitucional do EB na hipótese de um dos Poderes ser empregado contra sua fonte emanadora, o povo.

Autogolpe. Lembrei de entrevista concedida por Hamilton Martins Mourão, na condição de candidato à Vice-Presidente da República, aos jornalistas da Globonews no dia 7 de setembro de 2018, na qual ele aborda a hipótese.

Quem conhece os valores do EB sabe que dentre eles está o patriotismo e a probidade. Para o EB, probidade é pautar a vida, como soldado e cidadão, pela honradez, honestidade e pelo senso de justiça.

Não gostaria de mencionar investigações e processos que tramitam e que tem por objeto mandatários que exercem o poder executivo (prefeitos, governadores, presidente). Não são exemplos de honradez, honestidade e senso de justiça.

Patriotismo, na visão do EB, é amar à Pátria – História, Símbolos, Tradições e Nação – sublimando a determinação de defender seus interesses vitais com o sacrifício da própria vida. Interesses vitais da Pátria, não da família de nenhum dos brasileiros.

A Pátria brasileira é constituída por todos nós, mais de 210 milhões de pessoas. O estado de saúde da Pátria, num sentido amplo, material e imaterial, portanto, é o resultado da consciência e do comportamento de cada um de nós.

Pensar no amor à Pátria me fez lembrar de Ulysses Guimarães, de suas palavras no discurso que fez no dia 5 de outubro de 1988, na Assembleia Nacional Constituinte, quando da promulgação da Constituição.

Disse Ulysses: “A moral é o cerne da pátria. A corrupção é o cupim da República. República suja pela corrupção impune toma nas mãos de demagogos que a pretexto de salvá-la a tiranizam”.

E complementou: “Não roubar, não deixar roubar, por na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública. Não é a Constituição perfeita. Se fosse perfeita seria irreformável.”

É importante recordar a missão do EB: Contribuir para a garantia da soberania nacional; dos poderes constitucionais; da lei e da ordem; salvaguardando os interesses nacionais e cooperando com o desenvolvimento nacional e o bem-estar social.

Guararapes é o berço da nacionalidade brasileira e do EB e, por isso, todos os anos, no dia 19 de abril, comemoramos o dia do Exército, e recordamos e homenageamos nossos compatriotas que lutaram na 1º Batalha dos Guararapes.

A moral continua e continuará sendo o cerne da República e ela, a moral, habita, em maior ou menor nível, todas as instituições brasileiras, sobretudo a mais antiga delas: o Exército Brasileiro, de todos os brasileiros, desde 1648.

*Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio, advogado

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