Os argumentos de Paulo Paim para evitar Moro

Os argumentos de Paulo Paim para evitar Moro

Senador petista pediu para ser dispensado de depoimento como testemunha de Gim Argello sob alegação de que mantinha 'apenas relacionamento profissional necessário' com o ex-senador preso na Lava Jato

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

08 de julho de 2016 | 04h00

paulopaim

O senador Paulo Paim (PT-RS). Foto: Divulgação

Chamado para depor como testemunha do ex-senador Gim Argello (PTB) na Lava Jato, o senador petista Paulo Paim (PT-RS) pediu para ser dispensado do depoimento diante do juiz Sérgio Moro na ação em que Argello é acusado de receber ao menos R$ 5,3 milhões em propinas de empreiteiras para evitar a convocação de executivos das construtoras nas duas CPIs da Petrobrás no Congresso em 2014.

Em ofício encaminhado ao juiz da Lava Jato no dia 30 de junho, o parlamentar petista disse que foi suplente em uma das CPIs e que deve ter participado apenas de uma reunião do colegiado. “Além de alheio às atividades da comissão, não detinha nenhuma forma de relacionamento com os acusados”, diz o documento.

Documento

Em relação a Argello, o senador diz ainda que mantinha “apenas o relacionamento profissional necessário ao desempenho das atividades parlamentares”. A defesa de Argello, por sua vez, argumentou que Paim participou de duas reuniões da CPI Mista da Petrobrás, inclusive a reunião que aprovou o relatório final da comissão e foi presidida por Argello.

Paim ainda reitera que não tem costume de participar de CPIs, participando mais de comissões temáticas do Senado, e que portanto não conhece qualquer fato que possa contribuir para esclarecer as investigações.

Além disso, o petista alega que o Senado vive um momento muito importante, com o processo do impeachment e a atual crise econômica do País, e que o seu eventual deslocamento para a Justiça Federal causará “graves prejuízos” a sua atividade parlamentar.

“Furtar um senador da República dessas atividades imprescindíveis à condução do País para sua oitiva em processo que manifestamente não tem nada a acrescentar não é compatível com as finalidades do processo penal”, afirma o senador. Apesar dos argumentos, diante da insistência da defesa de Argello, o juiz Sérgio Moro mandou notificar Paim para que se manifeste sobre a melhor data para depor na Justiça, o que pode ser feito por meio de videoconferência.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do senador, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para a manifestação de Paulo Paim.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.