Os altos e baixos do ISE 2021 e como isso impactou no ano da pandemia

Os altos e baixos do ISE 2021 e como isso impactou no ano da pandemia

Glauco Requião*

13 de janeiro de 2021 | 03h15

Glauco Requião. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em dezembro passado foi comemorado o 15º aniversário de um dos índices mais importantes para o desenvolvimento da sustentabilidade em nosso país. Sim, novamente estamos falando do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE B3). A sua importância é facilmente verificada em números. Desde a sua criação, em 2005, ele apresentou rentabilidade de +294,73% contra +245,06% do Ibovespa (base de fechamento em 25/11/2020); sendo que no mesmo período teve ainda menor volatilidade: 25,62% em relação a 28,10% do Ibovespa.

A mais recente carteira do ISE B3, anunciada em 01 de dezembro de 2020 e que vigora no período de 04 de janeiro de 2021 a 30 de dezembro de 2021, conseguiu reunir 46 ações de 39 companhias. Elas representam 15 setores e somam R$ 1,8 trilhão em valor de mercado. Esse montante equivale a 38% do total do valor de mercado das companhias com ações negociadas na B3, com base no fechamento de 25/11/2020.

Alguns pontos merecem ser destacados, como por exemplo a ausência da Braskem e Eletropaulo que haviam participado de todas as edições anteriores. Por outro lado, as empresas Banco do Brasil, Bradesco, Cemig, Engie (Tractebel), Itaú/Unibanco e Natura puderam comemorar as suas participações em todas as edições da carteira ISE.

Também podemos ressaltar a presença de algumas empresas que nunca haviam figurado nesta carteira, sendo oito novatas: BTG, COSAN, GPA, M. Dias Branco, Marfrig, Minerva, Movida e Neoenergia. Outro destaque foram algumas empresas que fizeram parte da ISE B3 no passado e retornam agora, reafirmando seu compromisso com a sustentabilidade. São elas a BRF e CPFL (fora em 2019), Petrobras (fora desde 2008) e Suzano (fora desde 2014).

Importante observar o cuidado que o mercado relega a este tipo de investimento, atualmente denominado de “ESG”, composto por empresas que respeitam clara e comprovadamente os aspectos ambientais, sociais e de governança em seus negócios. Isso ainda pode ser reforçado pelo fato de que a carteira ISE está passando por um amplo processo de revisão de metodologia, estrutura e conteúdo abordado em seu questionário. Reavaliações estas, fundamentais para a escolha das empresas aptas verdadeiramente a integrar a carteira ISE. Afinal, a B3 busca um aprimoramento e maior aplicabilidade do índice, tanto como uma referência de investimentos ESG, quanto como uma ferramenta objetiva e eficaz de gestão de sustentabilidade para empresas e outros atores da sociedade.

E o que se vê ano após ano é que a rentabilidade das empresas que adotam verdadeiro compromisso com a sustentabilidade está se mostrando sólida. Deixa de ser uma aposta num futuro melhor, para se constituir numa necessidade para o presente, retornando aos investidores de uma maneira altamente positiva. Para exemplificar podemos observar o rendimento das empresas num dos anos mais complexos para o mercado financeiro, ou seja 2020. Tivemos registradas as seguintes empresas com as maiores altas, em reais: Weg ON +79%, Marfrig ON +65%, B2W Digital ON +50%, Klabin PN +40%, Grupo Natura ON +35%, Totvs ON +32%, B3 ON +31%, Comgás PN +29%, Lojas Americanas ON +29%, Suzano ON +28%.

Das dez empresas com as maiores altas registradas, sete compõem a carteira ISE B3 20/21, demonstrando, portanto, que o caminho da sustentabilidade é o mais adequado ao crescimento com respeito ao nosso ambiente e à nossa sociedade. Que esta lição do mercado financeiro sirva para muitos governantes que ainda insistem em confrontar desenvolvimento com sustentabilidade.

*Glauco Requião, criador da Plataforma Postura Sustentável

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