Orientar investimentos transcende ao dinheiro

Orientar investimentos transcende ao dinheiro

Mauro Silveira*

22 de julho de 2021 | 05h30

Mauro Silveira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ganhar dinheiro é uma tarefa difícil, exigindo esforço, talento, compromisso, disciplina e muita dedicação, em qualquer atividade lícita e digna, seja qual for a posição que se ocupe, de empresário, executivo, colaborador de uma empresa ou prestador de serviço autônomo. Gastar é uma tentação quase lúdica, um ato de liberdade de quem trabalha e busca recompensas pelo suor diário. Porém, entre os dois extremos, há espaço para o equilíbrio, proporcionado pelo bom senso e a responsabilidade pessoal e com as pessoas que amamos.

É aí que entra a chamada educação financeira, conceito que numerosas e conhecidas estatísticas e pesquisas demonstram não ser tão arraigado na cultura dos brasileiros. A primeira questão refere-se à dificuldade de poupar parte da renda. Em nosso país, é histórica a sensação de que o mês é sempre muito maior do que o salário. E, quando se consegue guardar um determinado valor, surge o dilema sobre em que aplicar, num mercado financeiro com múltiplas opções e no contexto de uma economia sempre permeada de incertezas e riscos.

Conselhos não faltam. Podem ser obtidos diretamente em instituições financeiras e até mesmo em sites: “Faça uma planilha do que ganha e das suas despesas fixas; veja quanto sobra; reserve uma quantia para emergências; quite todas as suas dívidas, começando pelas que têm juros mais altos; evite compras de itens desnecessários; no final, o valor disponível deve ser aplicado de modo diversificado, em diferentes produtos, para garantir rentabilidade e segurança”.

Tudo isso é verdade, tecnicamente correto e deve ser seguido. Entretanto, bastam tais conselhos para atender bem, disseminar a educação financeira e mudar positivamente a cultura de uma pessoa ou de uma família? Obviamente que não. Mais do que nunca, apesar da digitalização dos serviços e da possibilidade de fazer quase tudo na tela de um computador, do celular ou de um tablet, as pessoas precisam de acolhimento, confiança, orientação bem-intencionada e atenção.

Todos nós, de certa forma, estamos mais carentes de humanidade neste momento em que um inimigo invisível, o tal do novo coronavírus, coloca a civilização de joelhos, destrói vidas, ameaça a economia, as empresas, os empregos, o direito à mobilidade e à interação pessoal. Esta, aliás, é muito importante, emocional e psicologicamente, para a gregária espécie denominada Homo sapiens sapiens. Com certeza, a pandemia faz muita gente refletir sobre nossa fragilidade perante as forças da natureza e a capacidade de continuar gerando renda para prover o presente e o futuro.

Não cabe, neste momento, um sentimento de culpa por não ter guardado dinheiro antes da crise da Covid-19. É preciso olhar para a frente. Porém, é pertinente um exercício lúcido do significado de poupar, investindo na segurança e na recompensa maior de um amanhã com mínimo conforto, propiciado por toda uma vida de trabalho e luta. É muito plausível a hipótese de que numerosos brasileiros estejam fazendo reflexões nesse sentido.

Se a conjuntura está promovendo mudança cultural nas pessoas, é imprescindível que as empresas também adotem posturas disruptivas para atender seus clientes. No caso do setor financeiro, tal atitude é fundamental. Como dito anteriormente, não bastam aconselhamentos técnicos. Isso, todos sabem fazer. É preciso transcender e estar muito bem-preparado para dar respostas concretas, confiáveis, com a máxima segurança possível e bons resultados.

Para isso, além de amplo e profundo conhecimento do mercado financeiro, da economia, das tendências e riscos e da capacidade de proporcionar uma carteira de investimentos atrativa e personalizada conforme o perfil de cada cliente, é fundamental que instituições financeiras, escritórios de investimentos e consultores estejam conscientes e devidamente preparados para atender bem as pessoas.

Isso implica, paralelamente à capacitação técnica e profissional, entender que não estamos tratando de dinheiro. Quando orientamos investimentos, estamos agregando valor ao trabalho, ao esforço, ao estresse diário, ao anseio pela segurança e ante as incertezas da vida e até aos sonhos de cada ser humano. Não importa quanto uma pessoa ganhe, mas ela sempre almejará que se entenda o quanto se empenha e quanto é precioso o fruto de seu desempenho profissional.

Ou seja, é imensa a responsabilidade de responder com eficácia a todos esses ativos psicoemocionais. O trabalho é um gesto natural do ser humano ligado ao instinto de sobrevivência. Quanto mais hostil o ecossistema, como neste mundo pandêmico, mais alertas e sensíveis ficam os sentidos. Entendido tudo isso, é muito mais fácil construir carteiras customizadas eficazes de aplicações financeiras, com a devida diversificação, que levem em conta a taxa básica de juros, as tendências inflacionárias, o comportamento dos mercados e as tendências e ameaças econômicas. Estamos tratando de gente que, mais do que nunca, precisa de gente, como todos nós!

*Mauro Silveira é CEO da Messem Investimentos

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