Organização financeira: não existem regras para começar a fazer investimentos

Organização financeira: não existem regras para começar a fazer investimentos

Bruna Allemann*

13 de agosto de 2020 | 14h00

Bruna Allemann. FOTO: DIVULGAÇÃO

A vida financeira de todas as pessoas segue muito impactada com a situação atual do mundo inteiro, por isso, é muito importante colocar em dia a organização das finanças em todos os setores, principalmente na vida pessoal, uma vez que nunca se sabe quando uma quantia extra vai ser necessária.

Nesse meio, não há regras e nada está escrito numa pedra. É possível utilizar diversas informações sobre organização financeira, que estão disponíveis na internet para se basear e ter insights da melhor maneira de poupar dinheiro, na situação em que você se encontra atualmente.

A dica mais comum se chama 50 – 30 – 20. Esse método envolve 3 passos simples, dividindo 50% dos valores para financiar os gastos fixos e essenciais, 30% para gastos com o estilo de vida, como cabeleireiro, roupas, viagens, restaurantes etc e 20% para as prioridades financeiras, ou seja: guardar, economizar e investir. De certo, é necessário fazer algumas adaptações para que os valores entrem no orçamento sem que ocorra qualquer déficit em cada área, mas pode ser uma ótima maneira de começar a estruturar o planejamento.

No momento em que há dívidas a serem pagas, talvez não seja ideal começar a investir. Novamente, é importante lembrar que não há regras, mas pensando friamente, se você não consegue sanar suas dívidas, como vai conseguir guardar dinheiro para investir? E se tiver dinheiro, por que ainda não pagou as dívidas? Utilize sua disciplina para direcionar o montante que sobrar e quitar suas pendências e também para aprender sobre a melhor forma de investir com os seus hábitos financeiros. Depois, livre desses compromissos, é possível começar a utilizar os valores em conta para investir.

Ainda assim, cada realidade precisa de suas próprias aplicações. Para isso, é possível escolher sua maneira de poupar ou mesmo adaptar as orientações já existentes. Além disso, a sua prioridade financeira não será necessariamente a mesma de outra pessoa, então não tem problema algum usar o conhecimento adquirido como referência.

Muitas vezes o custo fixo de uma família pode chegar a mais de 70% da renda. Nesses casos, minha sugestão é fazer um estudo e questionar quais são os itens não essenciais que podem ser cortados ou mesmo utilizar um valor mínimo para realizar algum tipo de aplicação. As prioridades são readequar as contas fixas e guardar. Os não essenciais (luxos da vida) chegarão através dos resultados e talvez possam deixados de lado por um tempo.

Costumo dizer que mais vale um passarinho na mão do que dois voando: ao abrir mão de alguns luxos, você pode ter em dobro no dia seguinte.

Para aqueles que querem investir no futuro dos filhos, é uma ótima ideia, mas podem ser utilizadas algumas estratégias. Por exemplo, para crianças pequenas é importante pensar no longo prazo, pois haverá custos altos com estudos (cursos e faculdade). Fazer uma poupança pensando nisso é fundamental nesse primeiro momento, até mesmo para evitar preocupações ou mesmo imprevistos no futuro.

Já para os adolescentes, uma boa dica é despertar o interesse na economia, afinal é o futuro dele que está em jogo e ele pode entender a necessidade de guardar dinheiro. Existem investimentos que rendem mensalmente e, aos poucos, conforme o valor aumenta na conta, pode ser perceptível que isso é uma forma de estimular o jovem a economizar e investir também, até mesmo porque eles já têm responsabilidade e conseguem entender.

É fundamental ressaltar que não tem idade, valor ou classe social definida para fazer isso. Investir 50 reais ou 1000, 2000 por mês não são coisas diferentes e ambos devem ser valorizados, trata-se de disciplina comportamental. Não podemos nos tornar reféns das nossas finanças, é um mal necessário, mas não pode nos manipular de uma forma negativa. O dinheiro é a consequência da sua disciplina, do seu trabalho ou para os jovens uma conquista, em todos os casos é importante que tenham valor, pois são feitos sacrifícios para que ele renda.

*Bruna Allemann, diretora de Investimentos e Capital Markets de uma empresa americana

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