Ordem na casa

Ordem na casa

Cassio Grinberg*

20 de fevereiro de 2019 | 05h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

No seriado Ordem na Casa, hit do momento da Netflix, a protagonista Marie Kondo entra na casa das pessoas e convida-as a uma reorganização diferente, na qual se somam praticidade e afetividade: tirando tudo dos armários e gavetas, se despedindo com gratidão daquilo que não mais nos interessa, e mantendo apenas aquilo que nos traz alegria.

Se depois de assistir a alguns episódios vestimos uma roupa confortável e nos aventuramos a fazer o mesmo onde vivemos, nos damos conta de que o exercício envolve uma profunda filosofia sobre propósito. E serve como metáfora para nossas empresas e nossas vidas.

Estamos, tanto no plano pessoal quanto empresarial, acostumados a manter “tudo o que pudermos”. E com isso trancamos o acesso àquilo que verdadeiramente nos toca. O ato de delegar responsabilidades tem a mesma raiz de empilhar roupas demais numa prateleira: deixamos de ver aquilo que mais gostamos de vestir, e o “trânsito” entre os níveis que criamos nos dificulta chegarmos a tempo ao coração dos problemas de nossos clientes.

Alvin Toffler dizia que o analfabeto do século 21 não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender.

Nesse sentido, desapegar roda na mesma via do ‘desaprender’, tão importante para nosso crescimento: quando esvaziamos armários e tornamos nossa casa mais leve; quando damos adeus a certas companhias e tornamos nossa vida mais leve; quando nos livramos da ortodoxia e tornamos nosso ambiente corporativo mais leve – conseguimos ajustar a lente determinante do foco: ganhamos um filtro produtivo para tudo o que entra em nossas casas, empresas ou vidas, e o que não colar no propósito, não tomará a liberdade dos novos espaços.

E o que desapegamos, em contrapartida, pode ser útil em aspectos diversos. Na medida em que passamos adiante o que não mais se encaixa em nossa razão de ser, abrimos espaço para três novas felicidades: a de quem recebe, a do próprio objeto doado e, é claro, a nossa.

*Cassio Grinberg, economista e consultor de empresas

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