Opositores de Aras ganham eleição interna e desbancam nomes ligados ao PGR

Opositores de Aras ganham eleição interna e desbancam nomes ligados ao PGR

Mario Bonsaglia, que encabeçou a lista tríplice em 2019, venceu o pleito para o Conselho Superior do Ministério Público Federal com 645 votos

Paulo Roberto Netto

23 de junho de 2020 | 23h23

Dois procuradores críticos da gestão Augusto Aras venceram eleição interna da Procuradoria-Geral da República e desbancaram nomes ligados ao atual PGR na noite desta terça, 23. Os subprocuradores Mario Bonsaglia e Nicolau Dino ganharam 645 e 608 votos, respectivamente, no pleito para o Conselho Superior da Procuradoria.

Por ser uma eleição que conta com votos de procuradores, subprocuradores e procuradores-regionais, o pleito para o Conselho Superior da PGR serviu de termômetro do tamanho da oposição à Aras dentro da Procuradoria.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, durante cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Três candidatos próximos ao procurador-geral participaram da votação, mas obtiveram, somados, 372 votos – pouco mais da metade conquistada por Bonsaglia.

“Hoje teve eleição para o Conselho Superior do MPF. Fui honrado com a maior votação (645 votos, 838 votantes).Tenho apontado a necessidade de defesa da independência funcional dos Procuradores. Um MPF forte e autônomo atende os interesses da sociedade e a defesa da ordem jurídica”, escreveu Bonsaglia no Twitter.

O subprocurador havia sido, também, o mais votado pela classe na eleição que definiu a lista tríplice para a vaga deixada por Raquel Dodge, no ano passado. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro escolheu Aras, nome fora da lista, para assumir a chefia da PGR.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal é o órgão máximo da Procuradoria, presidido pelo PGR, com a função de elaborar e aprovar normas internas e realizar sindicâncias e aplicar sanções a procuradores a partir de processos administrativos disciplinares.

A eleição foi conduzida em sistema remoto, por computador e celular, e chegou a ser adiada em maio após auditorias apontarem riscos nos sistemas de voto da PGR.

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