Oposição já tem 19 assinaturas para CPI da Merenda na Assembleia

Oposição já tem 19 assinaturas para CPI da Merenda na Assembleia

São necessárias 32 rubricas para abrir investigação sobre fraude em licitações de produtos agrícolas em prefeituras e na Secretaria da Educação do Estado; deputado Geraldo Cruz, líder do PT na Casa, já reuniu mais da metade das adesões

Pedro Venceslau e Ana Fernandes

04 de fevereiro de 2016 | 20h04

Deputado petista Geraldo Cruz

Deputado petista Geraldo Cruz. FOTO: DIVULGAÇÃO

Os deputados de oposição ao governo na Assembleia Legislativa de São Paulo estão coletando assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o esquema de fraude na compra de alimentos de merenda escolar por prefeituras do interior do estado.

O líder do PT na Casa, Geraldo Cruz, conseguiu até agora 19 das 32 rubricas necessárias.

O deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia, foi o primeiro a assinar o pedido. Ele foi citado por investigados na operação Alba Branca como um dos supostos beneficiários de propina sobre contratos da Secretaria de Estado da Educação.

O tucano, que nega envolvimento no esquema, diz estar disposto a “furar” a fila de comissões que estão protocoladas na casa se a oposição conseguir reunir as assinaturas necessárias.

“Pouco importa se existem cinco ou dez pedidos na frente. Eu vou instalar porque o fato é grave”, diz Capez.

O presidente da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), Cássio Chebabi, que seria o pivô do esquema, afirmou ter sofrido ‘retaliações e ameaças’ por mensagem de WhatsApp de um assessor de Capez quando o pagamento da propina atrasava.
Os deputados oposicionistas na Assembleia Legislativa se dizem confiantes com a instalação da CPI, mas os governistas não demonstram entusiasmo com a iniciativa.

“Como o Capez assinou, eu penso que os demais deputados da base assinarão também”, diz o líder do PT. “Desde 2011, os tucanos já enterraram 26 CPIs, esperamos que essa não seja a 27ª”, completa a deputada petista Beth Sahão.

[veja_tambem]

Aliado do governador Geraldo Alckmin, o deputado Campos Machado (PTB) afirma que é contra a criação da comissão.

“Há 20 anos eu defendo que, se existe um fato sendo investigado pelo Ministério Público, o resultado da CPI vai acabar caindo lá. O que querem é fazer um enforcamento moral do Capez”, diz.

Em outra frente, os deputados federais do PT estão tentando coletar assinaturas para criar uma “CPI da Merenda” na Câmara . “Nós temos boas chances de prosperar e conseguir as 180 assinaturas necessárias”, diz o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Corregedoria – O governador Geraldo Alckmin determinou ao secretário de Educação, José Nalini, que ele faça uma devassa nos contratos entre a Coaf e a pasta que já foram cumpridos. Caso sejam encontradas irregularidades o governo pedirá ressarcimento na Justiça. A Corregedoria Geral de São Paulo, por sua vez, abriu um procedimento para apurar a suposta participação de um ex-assessor da Casa Civil que teria ligação com o esquema.

A Operação Alba Branca revela que Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, ex-braço direito do secretário-chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, operava para a quadrilha da merenda escolar de sua sala no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. “Moita” caiu no grampo da Polícia Civil várias vezes dizendo a interlocutores: “Tô no Palácio”.

Mais conteúdo sobre:

Operação Alba Branca