Oportunidades, incógnitas e desafios: um olhar sobre a gestão financeira e de crédito em 2021

Oportunidades, incógnitas e desafios: um olhar sobre a gestão financeira e de crédito em 2021

Pedro Bono*

12 de abril de 2021 | 03h00

Pedro Bono. FOTO: DIVULGAÇÃO

Depois da tempestade, a bonança? A julgar pelo ritmo do mercado neste primeiro trimestre e os mais recentes índices que analisam as expectativas econômicas para esse ano, uma primeira conclusão que podemos aferir é a de que, se por um lado, o cenário é menos caótico e conta com alguns nortes mais iluminados do que 2020; por outro, as nuvens de incerteza ainda não desvaneceram por completo e são um sinal de atenção para as empresas e seus departamentos financeiros, que precisam manter o equilíbrio para ter gás para crescer e, eventualmente, suportar novos contextos mais adversos.

Segundo o Relatório Focus divulgado no dia 29 de março pelo Banco Central, a expectativa para o PIB teve uma decaída para 3,18% – após queda de 4,05% em 2020, conforme projeção do IBC-Br (Índice de Atividade do Banco Central) – alguns sinais de alerta foram ligados, incluindo a queda na expectativa do investimento estrangeiro no Brasil e o aumento da inflação acima da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional), que passou de 4,71% para 4,81%.

Somemos a esse cenário a queda na capacidade de consumo do brasileiro (que no quarto trimestre de 2020 recuou 4,2%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE) e os impactos econômicos, ainda incertos, da segunda onda de COVID-19 no Brasil, e temos um ambiente que, apesar de manter perspectivas no campo da geração de empregos em segmentos importantes da economia brasileira ou manter uma perspectiva interessante de recuperação do PIB, deixa algumas incógnitas para entendermos por onde correrão os ventos da economia em 2021.

Risco de Crédito em 2021

Até o momento, o setor financeiro tem mantido uma expectativa que dialoga com o momento atual – sem pânico, mas cientes da possibilidade do aumento da inadimplência para 2021.

Em matéria recente do Valor Investe, os principais bancos privados do país confirmam essa perspectiva, mas acreditam que ela deverá ocorrer em ritmo mais próximo da normalidade e que não irá exigir um novo movimento de fortes provisionamentos, como nos ápices da crise do coronavírus, em 2020. Por conseguinte, os bancos apontam uma queda no risco de crédito para esse ano.

A digitalização na rota dos departamentos financeiros

Levando em conta todo esse contexto, um ponto que merece ser reforçado quando pensamos nos departamentos financeiros e na gestão do risco de crédito nas empresas envolve a aplicação de novas tecnologias que podem apoiar as empresas na identificação de oportunidades para a recuperação de débitos em atraso e para apoiar os gestores na tomada de decisão dentro de um cenário econômico ainda incerto e desafiador.

Ademais, quando consideramos que a expectativa de aumento da inadimplência persiste no país, a tecnologia pode ser um diferencial para, por exemplo, auxiliar as empresas a analisar o comportamento de devedores e, por meio do estudo de dados e aplicação de tecnologias mais avançadas de inteligência artificial, identificar janelas de negociação e ampliar o leque de possibilidades de recuperação de crédito para as empresas.

Como sabemos, diante de tantas adversidades, um dos saldos positivos de 2020 foi o avanço da digitalização nas organizações que, se implementada de modo estratégico, pode ser um legado importante para a construção de um mercado mais inteligente, dinâmico e que melhore a experiência de consumidores cada vez mais imersos em um mundo informatizado.

E isso também vale para os departamentos financeiros e de cobrança. Já passou da hora de abrirmos os olhos para a inovação e todo o potencial que ela oferece para potencializar resultados, gerar retornos e fortalecer empresas tanto em cenários de bonança, quanto de tempestades.

*Pedro Bono é CEO e cofundador na Receiv

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