Oportunidade histórica

Oportunidade histórica

Celso Niskier*

30 de maio de 2020 | 08h00

Celso Niskier. FOTO: DIVULGAÇÃO

No momento em que muitas escolas privadas de educação básica migram suas atividades para as aulas remotas, assistimos preocupados aos sistemas públicos tendo dificuldades de adaptar seus programas para o ensino remoto. Considerando as incertezas sobre a data de realização do Enem, cabe a seguinte pergunta: estaríamos aumentando o fosso que separa o desempenho do aluno de escola particular do rendimento do estudante de escola pública?

Nesse momento de crise, as instituições de educação superior, conscientes da sua responsabilidade social, estão dedicando esforços a minimizar o distanciamento tecnológico, oferecendo soluções e serviços gratuitos para ajudar os alunos das escolas públicas.

A universidade Estácio de Sá, em conjunto com a Eleva Educação, está disponibilizando conteúdo preparatório para o Enem. Gratuita e de fácil acesso por meio de computador, smartphone ou tablet, a plataforma pretende auxiliar os estudantes da rede pública a superar as dificuldades impostas pelo isolamento social provocado pela pandemia.

Também o Grupo Ânima Educação, sob a liderança do vice-presidente da ABMES, Daniel Castanho, oferece conteúdo digital para ajudar as escolas com mais dificuldade de migração para o modelo emergencial. No Rio de Janeiro, a UniCarioca abriu o seu programa de reforço acadêmico em português e matemática para todos os alunos da rede pública e particular, através de uma live semanal, oferecida gratuitamente.

São algumas das iniciativas que mostram o compromisso social do setor de educação superior particular com a educação básica, pois sabemos que a qualidade do aluno ingressante no ensino superior influencia os resultados dos egressos deste nível de ensino.

Outras iniciativas prosperam por todo Brasil, numa demonstração de que as instituições privadas de educação superior trabalham para minimizar os impactos gerados pela Covid-19 na vida escolar dos estudantes brasileiros, especialmente entre aqueles que dependem única e exclusivamente do ensino público para ingresso no nível superior.

Dadas as dimensões do país, com suas enormes diferenças sociais e desafios, é certo que tais iniciativas ainda estarão aquém da real necessidade dos milhões de alunos que cursam educação básica nas escolas públicas brasileiras. No entanto, espera-se alcançar o maior número possível de estudantes, ofertando a eles, dentro da realidade possível neste momento de pandemia, alternativas que os possibilitem continuar lutando pelo sonho de acesso ao ensino superior.

Retornando à pergunta inicial, certamente as dificuldades de migração das atividades letivas presenciais para o ambiente virtual, no âmbito do ensino público, resultarão em consideráveis prejuízos ao aprendizado, aumentando a evasão escolar.

Neste sentido, acreditamos que qualquer iniciativa que leve apoio e esperança aos milhões de estudantes e educadores brasileiros é muito bem-vinda. Estamos em um momento de crise e dificuldades generalizadas, e, exatamente por isso, se faz ainda mais imprescindível a prática da solidariedade para com aqueles mais afetados.

*Celso Niskier é secretário executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular (Fórum) e diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

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