Operadores do PMDB chegam ao Brasil e são levados para a PF

Operadores do PMDB chegam ao Brasil e são levados para a PF

Jorge Luz e Bruno Luz aguardarão na carceragem no DF até que sejam transferidos para Curitiba na quinta-feira, 1. Os dois foram alvos da operação Blackout, 38ª fase da operação Lava Jato.

Fabio Serapião, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

25 de fevereiro de 2017 | 10h04

ARANHA EMPRESAS LUZ

Os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz desembarcaram em Brasília na manha deste sábado, 25, e foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal. Segundo a PF, eles aguardarão na carceram no DF até que sejam transferidos para Curitiba. Os dois foram alvos da operação Blackout, 38ª fase da operação Lava Jato. A chegada dos operadores é cercada de muita expectativa uma vez que caso escolham o caminho de um acordo de colaboração com as autoridades brasileiras suas revelações podem atingir em cheio a cúpula do PMDB do Senado e aliados do presidente Michel Temer.

Documento

Os lobistas ligados serão transferidos para Curitiba na quinta-feira. Os dois foram presos  pela Interpol na última sexta-feira. De acordo com a superintendência da Polícia Federal de Curitiba, o transporte dos dois foi adiado para quinta-feira devido ao alto preço das passagens aéreas durante o carnaval.

Jorge e Bruno chegaram a Brasília na manhã deste sábado e em seguida passaram por exames do Instituto Médico Legal. Eles estavam na lista de procurados pela Interpol. Bruno Luz foi abordado pela polícia de imigração dos Estados Unidos e afirmou que ele e o pai já estavam com as passagens compradas para o Brasil.

Jorge Luz e seu filho Bruno são acusados de movimentarem pelo menos US$ 40 milhões em propinas para agentes públicos e políticos do PMDB, em cinco contratos da Petrobrás, no Brasil, Argentina e África. Aos 73 anos, o “empresário” Jorge Luz é um dos maiores lobistas da Petrobrás. Ele é considerado por investigadores da força-tarefa de Curitiba o verdadeiro “homem-bomba” do PMDB.

Relatório de informação do Ministério Público Federal mapeou nove empresas ligadas ao lobista  que seriam usadas para ocultar movimentação ilegal de dinheiro, em especial, em contratos da Petrobrás.

A Lava Jato considera ter identificado a rede de empresas de Luz usadas para lavar dinheiro. Por meios delas, a força-tarefa quer chegar aos valores pagos nos negócios já delatados por outros investigados e expandir as apurações.

Em nome de Jorge Luz estão apenas a Total Express Participações Ltda e a GEA Projetos, abertas no Brasil, e a TCB Equity Ltd.

A Lava Jato, no entanto, mapeou as empresas abertas em nome de seu filho Bruno Luz, também acusado de ser operador de propinas do PMDB e alvo de ordem de prisão na Operação Blackout, e de outras três pessoas de “seu núcleo familiar”.

Juntos, eles têm nove empresas, todas suspeitas de serem firmas de fachada usadas para movimentação de dinheiro ilegal e fornecimento de falsos contratos.

COM A PALAVRA,  O CRIMINALISTA GUSTAVO TEIXEIRA

O advogado Gustavo Teixeira,  que defende Jorge Luz e seu filho Bruno, protestou contra o que chamou de ‘agressividade’ do Ministério Público Federal. Indagado se os operadores do PMDB vão revelar nomes de supostos beneficiários de propinas, Gustavo Teixeira disse.

“Desde 2015 a Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm ciência que meus clientes se localizavam nos Estados Unidos. Desde 2015 ambos prestaram depoimentos formais e informais aqui no Brasil ao Ministério Público Federal e na PF. E agora, como que em um passe de mágica, tornam-se foragidos e suas prisões necessárias por fatos que teriam ocorrido até 10 anos atras?! É, no mínimo, curiosa essa mudança de postura. Reitero que há anos, anos vínhamos conversando! Agora, diante dessa agressividade, teremos que ver o que houve.”

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