Operador emedebista confessa crime e entrega US$ 7,2 mi

Operador emedebista confessa crime e entrega US$ 7,2 mi

Preso na 51.ª fase da Lava Jato manteria o dinheiro em contas na Suíça; advogado diz que Miranda quer colaborar

Luiz Vassallo

21 Maio 2018 | 05h20

Agentes na 51ª fase da Lava Jato, da qual Miranda foi alvo. FOTO: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS-8/5/2018

O operador do MDB Mário Miranda confessou crimes e deixou à disposição da Justiça US$ 7,2 milhões em valores repatriados – montante oriundo, segundo ele próprio disse, de práticas ilícitas em contratos da Petrobrás. Sob sigilo, as declarações de Miranda foram registradas pela força-tarefa da Operação Lava Jato no dia 16.

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O depoimento envolve contrato que, segundo a Odebrecht e os investigadores, beneficiou o MDB em 2010, em suposto acerto com políticos da cúpula do partido, dentro do escritório de Michel Temer em São Paulo. O termo foi assinado após a prisão de Miranda na 51.ª fase da Operação Lava Jato, que mira suspeita de propinas em benefício do partido.

Reprodução de termo entregue à Lava Jato por Mário Miranda

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A defesa de Miranda é constituída pelo advogado Antonio Figueiredo Basto, um dos maiores especialistas em delação premiada do País. Pioneiro e responsável por acordos de importantes delatores, como o doleiro Alberto Youssef, o corretor Lúcio Funaro e o dono da UTC, Ricardo Pessoa, ele também é citado em delações.

O Estado revelou no sábado que os doleiros Vinícius Claret e Cláudio de Souza citaram suposto pedido do advogado por uma “taxa” mensal de US$ 50 mil em troca de “proteção” em investigações. O advogado nega e afirma que nunca teve contato com Claret e Souza.

++ O depoimento de Vinícius Claret

++ O depoimento de Cláudio de Souza

Foi Basto que afirmou ao juiz federal Sérgio Moro que Miranda, “em longo depoimento gravado, reiterou seu firme propósito de colaborar com as investigações, de comparecer a todos os atos processuais e repatriar os valores ilícitos recebidos”. “Apenas para contextualizar, registre-se uma vez mais que o requerente procurou a Polícia Federal e Ministério Público Federal ainda em 2016 e antes da colaboração da Odebrecht com a finalidade de iniciar uma colaboração.”

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Em janeiro deste ano, Miranda voltou a encaminhar, por meio de sua defesa, ofício à força-tarefa no qual diz estar à disposição para colaborar e para os trâmites relativos à devolução de valores decorrentes de crimes. No entanto, ele acabou preso na Lava Jato. Para os procuradores, há “contas secretas ainda mantidas no exterior e que não tiveram saldos sequestrados”, como a offshore Fairfamily Foundation, mantida pelo operador nas Bahamas.

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Contas. De acordo com o advogado, no depoimento do dia 16 Miranda “respondeu a todas as perguntas e enfrentou as apontadas omissões que, segundo o MPF, justificaram a prisão preventiva”. Ele disse que o operador “manifestou em seu depoimento que abre mão de eventuais valores depositados no exterior e concorda com a repatriação, comprometendo-se ainda a apresentar, quando os bancos enviarem, “os documentos da conta da fundação no Banco Heritage que deram origem à movimentação para a instituição nas Bahamas”.

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Entre as contas de valores ilícitos repatriados e já postos à disposição das autoridades pelo operador estão uma mantida no banco suíço Julius Bar, com saldo atualizado em 2 de abril de 2017 no valor de US$ 1.834.682, e outra no Credit Suisse, com saldo atualizado em 17 de março de 2017 no valor de US$ 5.449.540.

De acordo com Miranda, o valor totaliza US$ 7.284.222, a ser atualizado. Ainda restaria conferir o “saldo na conta mantida nas Bahamas cujos demais dados desconhece”.

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Miranda foi preso preventivamente na Operação Dejà Vu, 51.ª etapa da Lava Jato, no dia 8. Essa investigação mira contrato da área Internacional da Petrobrás no valor de US$ 825 milhões que teria rendido propinas de US$ 40 milhões ao MDB, em suposto encontro entre delatores da Odebrecht, os ex-presidentes da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha e Temer, então candidato a vice-presidente, em 2010.

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Ele e outro operador, Sérgio Bocaletti, são suspeitos de receber US$ 31 milhões por meio de contas mantidas por operadores financeiros no exterior e supostamente representavam políticos do MDB. Os operadores são investigados por entregas de valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes políticos.

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Defesas. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, mas não obteve resposta. Também procurou a defesa dos ex-deputados federais Eduardo Cunha e Henrique Alves, mas elas também não se manifestaram.