Operador de propinas doou quatro parcelas de R$ 950 na campanha de Cabral

Operador de propinas doou quatro parcelas de R$ 950 na campanha de Cabral

Em 2006, Ary Fichinha transferiu, segundo o TSE, R$ 3,6 mil ao peemedebista; quatro anos depois, repasso R$ 10 mil para reeleição do governador

Julia Affonso

30 de maio de 2017 | 05h15

Sérgio Cabral. Foto: Wilton Júnior/Estadão

O ex-assessor especial do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e suposto operador do esquema de propinas atribuído ao peemedebista, Ary Ferreira Costa Filho, o ‘Ary Fichinha’, doou R$ 13,8 mil a duas campanhas do peemedebista, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2006, foram quatro transferência de R$ 950. Quatro anos depois, R$ 10 mil foram repassados à campanha do peemedebista.

Estas foram as duas únicas doações do operador em 2006 e em 2010. Em 2006, as receitas da campanhas de Sérgio Cabral somaram R$ 9.740.389,18 e as despesas, R$ 9.734.780,48. Em 2010, a receita alcançou R$ 20.701.771,61, e a despesa, R$ 20.696.983,63.

Ary Fichinha foi preso em fevereiro deste ano na Operação Mascate, desdobramento da Operação Calicute – que, em novembro do ano passado, capturou Sérgio Cabral. O operador é suspeito de ter atuado para lavar ao menos R$ 10 milhões em propinas por meio de concessionárias de carros e compras de imóveis no Estado do Rio. Deste valor, segundo os investigadores, R$ 8 milhões teriam sido destinados para Cabral.

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No início de abril, a defesa de Ary Fichinha pediu a liberdade do operador. O advogado Marco Aurélio Asseff alegou que Ary Fichinha ‘era o menos influente de todos os membros’. “Não custa lembrar que “fichinha”, segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, (editora objetiva, 2001, 1ª ed., pg. 1336) significa pessoa de pouca ou nenhuma influência; pessoa insignificante; sem importância. Esse é o retrato fiel do “mochileiro” “Ary Fichinha””, argumentou o defensor.

Ao manter Ary Fichinha na cadeia, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, Ary Fichinha ‘não seria apenas um assessor de Sérgio Cabral, pois, possuía a tarefa de buscar, junto a empresas no Estado do Rio de Janeiro, aquelas que se dispusessem a celebrar contratos fictícios a fim de branquear elevadas somas de dinheiro proveniente da atuação ilícita da organização criminosa’. O magistrado apontou em decisão de 26 de abril, quando manteve Ary Fichinha preso, que o operador ‘também estaria envolvido com a compra com dinheiro em espécie de imóveis e automóveis de luxo importados’.

“Ao contrário do que pretende fazer crer a defesa, Ary Ferreira não deve considerado de modo algum “pessoa de menor importância” ou “fichinha” na Orcrim”, assinalou Marcelo Bretas.

Campanha 2006
ARY FERREIRA DA COSTA FILHO 73818518734 31/07/2006 950,00 Recursos de pessoas físicas
ARY FERREIRA DA COSTA FILHO 73818518734 31/08/2006 950,00 Recursos de pessoas físicas
ARY FERREIRA DA COSTA FILHO 73818518734 30/09/2006 950,00 Recursos de pessoas físicas
ARY FERREIRA DA COSTA FILHO 73818518734 27/10/2006 950,00

Campanha 2010
ARY FERREIRA DA COSTA FILHO 738.185.187-34 16/07/10 15000021797 10.000,00

COM A PALAVRA, SÉRGIO CABRAL

“A defesa de Sérgio Cabral informa que se manifestará no processo em curso na Justiça.”

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