Operador de propinas de Cabral pediu ‘depósito’ para o PMDB, diz Procuradoria

Operador de propinas de Cabral pediu ‘depósito’ para o PMDB, diz Procuradoria

Carlos Miranda está preso na mesma cela do ex-governador do Rio - ambos alvos da Operação Calicute -, no presídio de Bangu

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

20 de novembro de 2016 | 06h00

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Dois e-mails resgatados pelos investigadores da Operação Calicute apontam que Carlos Miranda, suposto operador de propinas do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, solicitou ‘depósitos’ à empreiteira Carioca Engenharia para o PMDB. Os pedidos são de 13 de setembro de 2010, para o Comitê Financeiro do PMDB fluminense, e de 5 de novembro de 2012, para o Diretório Nacional do partido.

Sérgio Cabral foi preso na quinta-feira, 17, na Operação Calicute, nova fase da Lava Jato, por suspeita de receber propinas milionárias de empreiteiras sobre obras no Estado do Rio. O esquema que, segundo o Ministério Público Federal, foi chefiado pelo ex-governador, teria movimentado R$ 224 milhões em vantagens ilegais. O peemedebista teria recebido mesadas de R$ 350 mil da empreiteira Andrade Gutierrez e mesadas de até R$ 500 mil da Carioca Engenharia.

A propina a Cabral teria sido repassada por meio de Miranda, segundo a investigação da Lava Jato. O recebimento de dinheiro em espécie por Miranda foi mencionado por ao menos seis executivos, três da Andrade Gutierrez (Rogério nora, Clóvis Primo e Alberto Quintaes) e três da Carioca Engenharia (Eduardo Backheuser, Rodolfo Muntuano e Tânia Fontenelle).

Amigos, Sérgio Cabral e Carlos Miranda estão presos na mesma cela no Complexo de Bangu, na zona oeste do Rio. No pedido de prisão do ex-governador, o Ministério Público Federal destacou os documentos entregues por Tânia Fontenelle, que é matemática de formação e tesoureira da Carioca.

“Tânia Fontenelle, responsável pelo setor financeiro da Carioca Engenharia forneceu, ainda, e-mails que comprovam que Carlos Miranda fazia pedidos e indicava contas a serem utilizadas para depósitos em favor do PMDB”, diz o documento.

Em 13 de setembro de 2010, às 15h37, Carlos Miranda escreve a Tânia. “Tânia, eguem (sic) os dados do Comitê Financeiro do PMDB: eleições 2010 Comitê Financeiro Único PMDB”, informa o operador de Cabral. “Qualquer dúvida me fale. Bjs Carlos Miranda.”

Pouco mais de dois anos depois, Carlos Miranda se dirige novamente à executiva da empreiteira. “Tânia. Recebi nesse instante a informação que a conta do partido que deve ser creditada mudou. Desclpe a confusão. Você pode corrigir a informação e me confirmar se será feito até segunda? Bjs Carlos.”

Na mesma mensagem, o operador informa os dados da ‘Conta de Recursos Próprios do PMDB. Favorecido: PMDB Diretório Nacional.”

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Sérgio Cabral está preso na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. O ex-governador divide cela com mais cinco internos, de nível superior, que também foram presos na mesma operação – José Orlando Rabelo, Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, Hudson Braga, Luiz Paulo Reis e Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves.

COM A PALAVRA, O PMDB

“O PMDB nacional desconhece o teor das investigações da Operação Lava Jato em relação ao ex-governador Sérgio Cabral, mas está à disposição para prestar esclarecimento à Justiça sempre que solicitado. Ao que consta, contudo, o senhor Carlos Miranda nunca falou em nome do partido nem esteve autorizado a solicitar doações em nome do PMDB nacional.”

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