Operador de propina usou empresa para investir em atletas do Botafogo do Rio

Operador de propina usou empresa para investir em atletas do Botafogo do Rio

Preso na Lava Jato, Mario Góes adquiriu direitos de jogadores do clube carioca e também teria recebido do Corinthians na transferência do meia Lodeiro em 2014

Redação

19 de março de 2015 | 17h13

Por Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

Acusado de ser um dos operadores de propina na diretoria de Serviços da Petrobrás e preso na Lava Jato, Mario Góes utilizou sua empresa Riomarine para investir em jogadores do clube de futebol Botafogo e também teria recebido dinheiro com a transferência do meia uruguaio Nicolas Lodeiro ao Corinthians, em 2014.

As informações constam de contratos apreendidos pela Polícia Federal nas buscas na sede da empresa de Góes, durante a nona etapa da Lava Jato. Segundo a documentação, Góes teria investido um total de R$ 600 mil para obter uma parcela direitos de vários jogadores do clube carioca.

Em um dos contratos, Góes se comprometeu a investir o equivalente a 45 mil euros para ajudar a viabilizar a transferência do meia Maicosuel do clube alemão Hoffenheim ao Botafogo, em julho de 2010. Além de Góes, o documento previa que outros 19 investidores também investissem em direitos do atleta para a transferência.

No caso de Góes, contudo, a PF identificou que, no mesmo mês que firmou o contrato, ele emitiu um cheque de sua empresa Riomarine no valor de R$ 100 mil para ele mesmo e, logo depois, transferiu o dinheiro de sua conta bancária para o Botafogo.

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O meia Maicosuel, atualmente no Atlético Mineiro

Documento

  • maicosuel   PDF

A Riomarine está na mira da Lava Jato por ter recebido pelo menos R$ 39,7 milhões, entre 2008 e 2014, de sete empreiteiras investigadas na operação por supostos serviços de consultoria. Sem qualquer funcionário no período em que emitiu a maior parte das notas (2009 e 2010) nem “relatórios de consultoria ou assessoria que denotassem o efetivo cumprimento” dos contratos milionários, as suspeitas dos investigadores da Lava Jato são de que a Riomarine fosse uma fachada usada para “esquentar” o dinheiro da propina.

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O meia uruguaio Lodeiro, que foi transferido para o Corinthians em 2014. Foto: Ag. Corinthians/Divulgação

O caso de Maicosuel não é o único. Góes firmou contratos para obter direitos de outros atletas do clube, incluindo o meia uruguaio Nicolas Lodeiro, transferido para o Corinthians em 2014. Cerca de um ano antes, Góes adquiriu, junto com outros três investidores, uma parcela dos direitos de Lodeiro. Neste negócio, ele pagou o equivalente a R$ 150 mil, transferidos de sua conta para o Botafogo.

Com isso, na transferência de Lodeiro para o Corinthians em 2014, Goes recebeu, junto com os demais investidores, uma porcentagem dos valores pagos pelo clube paulista ao Botafogo para obter o jogador. No relatório, contudo, a PF não diz de quanto seria o valor recebido por Góes no contrato.

Documento

  • lodeiro   PDF

 

COM A PALAVRA, O BOTAFOGO-RJ:

“O Conselho Diretor do Botafogo de Futebol e Regatas vem apresentar os seguintes esclarecimentos:

a) não participou da operação envolvendo os jogadores Lodeiro, Rafael Marques e Lucas;

b) contratará uma auditoria independente para analisar todos os compromissos celebrados pela gestão anterior do clube;

c) não mantém qualquer relação e desconhece a pessoa de Mário Goes;

d) o atual Conselho Diretor não assinou contrato de investimento com MFD Empreendimentos e Participações Ltda., bem como não teve participação na operação envolvendo os direitos econômicos dos jogadores Lodeiro, Rafael Marques e Lucas. A relação existente com MFD Empreendimentos e Participações Ltda. diz respeito à representação de alguns atletas que integram o atual elenco do Botafogo de Futebol e Regatas. Quem poderá esclarecer eventuais relações jurídicas celebradas no passado com a referida empresa, são os ex gestores do clube, Srs. Mauricio Assumpção e Sergio Landau.

Botafogo de Futebol e Regatas
Domingos Fleury da Rocha
Vice-Presidente Jurídico”

A reportagem não conseguiu localizar a assessoria do Corinthians para comentar o caso.

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VEJA TAMBÉM:

Especial de 1 ano da Operação Lava Jato

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