Operador de propina do PMDB deu carro de luxo para Cerveró, suspeita MPF

Operador de propina do PMDB deu carro de luxo para Cerveró, suspeita MPF

Lava Jato investiga se Fernando Baiano pagou em dinheiro vivo Range Rover Evoque, de R$ 220 mil, de ex-diretor de Internacional; juiz manda abrir novo inquérito por corrupção e lavagem de dinheiro

Redação

24 de março de 2015 | 17h36

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

O operador de propina do PMDB na Petrobrás Fernando Soares, o Fernando Baiano, deu de presente uma Range Rover Evoque para o ex-diretor de Internacional da estatal Nestor Cerveró. O carro de luxo custou R$ 220 mil e foi negociado e pago em dinheiro vivo pelo lobista, segundo suspeitam investigadores da Operação Lava Jato. Os dois estão presos em Curitiba e são réus por corrupção e lavagem de dinheiro na compra de duas sondas de perfuração marítimas da estatal.

Braço do PMDB no esquema de loteamento de diretorias da Petrobrás, Cerveró é acusado de ter recebido US$ 30 milhões de propina.

O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró chega ao IML de Curitiba, na quarta-feira, 14. Foto: Vagner Rosário/Futura Press

O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. Foto: Vagner Rosário/Futura Press

O presente de luxo foi comprado em 2012, na mesma loja em que o doleiro Alberto Youssef – alvo central da Operação Lava Jato – adquiriu um carro do mesmo modelo para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um ano depois. A Range Rover Evoque de Cerveró foi confiscada pela Justiça Federal.

Para o juiz federal Sérgio Moro – que conduz todas as ações da Lava Jato – “há provas de que a aquisição do veículo teria sido intermediada por Fernando Soares em benefício de Nestor Cerveró, com a participação da esposa deste, Patricia Anne Cunat Cervero”.

Os dois carros de luxo dos ex-diretores foram adquiridos na mesma loja, a Autostar São Paulo. O Ministério Público Federal obteve na concessionária informações sobre a aquisição da Ranger de Cerveró, a nota fiscal emitida em 27 de julho de 2012 e a proposta de venda.

“A nota fiscal encontra-se em nome da esposa de Nestor Cerveró, Patrícia Anne Cunat Cerveró. Entretanto, na proposta de compra é apontado o endereço eletrônico fsoares@hawkeyespar.com.br como contato para Patrícia.”

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O endereço eletrônico registrado no documento em nome da mulher de Cerveró é na verdade “de titularidade de Fernando Soares e da empresa dele, Hawk Eyes Administração de Bens Ltda”, assinala a Procuradoria.

“Ouvida, a vendedora da AutoStar declarou que Fernando Soares é quem fez todo o contato com a AutoStar para a compra do veículo.”

A Autostar também forneceu ao MPF extrato bancário que revela que o veículo foi pago por depósito em dinheiro de R$ 220 mil”.

O MPF registrou que foi “Fernando Soares quem compareceu na concessionária e encomendou o veículo, inclusive determinou fosse este blindado”.

“Segundo a vendedora, não teve qualquer contato com Patrícia Cerveró, o que demonstra que o veículo realmente foi adquirido por Fernando Soares em benefício de Patrícia e Nestor Cerveró”, escreveu a Procuradoria, em pedido de quebra de sigilo no dia 22.

Para o juiz Sérgio Moro, “a realização do pagamento do preço do veículo em espécie não é, por si só crime, mas transação de R$ 220 mil em espécie não é nada usual”.

“A realização de elevada transação em espécie, sem aparente justificativa econômica, gera fundada suspeita de que o objetivo dela seria dificultar o rastreamento da origem do dinheiro, a real titularidade dos recursos, e acobertar pagamento de propina ou lavagem de dinheiro, suspeita essa reforçada pela participação de Fernando Soares na aquisição do veículo em questão, ele que é acusado pelo MPF exatamente como intermediador de propinas para Nestor Cerveró”, registra o juiz.

Denúncia. Cerveró e Baiano respondem ação penal na Lava Jato. O ex-diretor teria recebido vantagem indevida de milhões de dólares para favorecer a contratação, em 2006 e em 2007, da empresa Samsung Heavy Industries Co para fornecimento de navios sondas de perfuração de águas profundas. Fernando Antônio Falcão Soares teria atuado como intermediador da propina.

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