PF prende operador de pastor Everaldo que usou carros-fortes e offshores no Uruguai para lavar dinheiro, segundo Lava Jato do Rio

PF prende operador de pastor Everaldo que usou carros-fortes e offshores no Uruguai para lavar dinheiro, segundo Lava Jato do Rio

Victor Hugo Amaral Cavalcante Barroso se apresentou no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, neste domingo, 30; Ministério Público Federal indica que ele recebia 15% de 'caixinha de propinas' em troca da cooptação de agentes públicos e privados e da administração da contabilidade paralela do suposto esquema de loteamento de contratos e cargos no governo do Rio

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo/SÃO PAULO, Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA e Caio Sartori/RIO

30 de agosto de 2020 | 18h49

O nome Victor Hugo Amaral Cavalcante Barroso é citado 60 vezes na representação do Ministério Público Federal (MPF) que detalhou o suposto esquema de loteamento de contratos e cargos na gestão do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). Ele se apresentou à Polícia Federal no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, neste domingo, 30.

Documento

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No documento de 403 páginas, tornado público na sexta, 29, quando foi deflagrada a Operação Tris in Idem para afastar o chefe do Executivo fluminense e prender 17 pessoas, os investigadores detalham as suspeitas que recaem sobre Barroso. Ele é apontado como operador financeiro do presidente nacional do PSC, pastor Everaldo Pereira, que por sua vez é acusado de chefiar um dos três grupos ocultos instalados na máquina pública para desviar recursos e se beneficiar sistematicamente de contratações irregulares do governo. O líder religioso e político foi um dos presos na operação.

De acordo com a investigação, o grupo gerenciava o orçamento estadual reservado à Saúde e indicou o ex-secretário da pasta e hoje delator, Edmar Santos, e o antigo ‘número dois’ da secretaria, Gabriell Neves, para garantir o controle de pagamentos e contratações.

Reprodução / MPF

Segundo suspeitam os procuradores, caberia a Barroso cooptar agentes públicos e privados, indicar as organizações sociais que deveriam ser contratadas pelo governo e cuidar da contabilidade dos desvios. Para isso, teria sido montado um ‘sistema financeiro paralelo’.

“Victor Hugo Barroso criou uma complexa organização de pessoas jurídicas, que indicam a estruturação de “camadas” de ocultação de valores, também típica de lavagem de dinheiro, onde as transações financeiras se misturam, dificultando a rastreabilidade”, diz o Ministério Público Federal na representação.

Nesta etapa de lavagem de dinheiro, o grupo usaria a transportadora de valores Fênixx, constituída por Barroso em sociedade com o secretário de Cidades, Juarez Fialho, para guardar os valores desviados em carros-forte, repetindo o sistema usado pelo ex-governador Sérgio Cabral.

Além disso, as offshores Tremezzo S/A, Firbank Croporation e South America Properties LLC, registradas em nome do operador, de sua mãe e irmã no Uruguai, serviriam para remessas de dinheiro ao exterior.

Em delação premiada, Edmar Santos contou ainda que Barroso fornecia cartões de crédito em nome de terceiros para que os integrantes da organização criminosa pudessem saldar despesas pessoais e vetava celulares em reuniões para tratar do esquema.

Em troca dos serviços, o suposto operador receberia 15% da ‘caixinha’ abastecida pelos lucros obtidos com as fraudes nas contratações.

Trecho da delação premiada de Edmar Santos. Reprodução / MPF

COM A PALAVRA, VICTOR HUGO BARROSO
A reportagem busca contato com Victor Hugo Barroso. O espaço está aberto para manifestações (rayssa.motta@estadao.com).

COM A PALAVRA, O GOVERNADOR WILSON WITZEL
Em nota, o governador afirmou: “A defesa do governador Wilson Witzel recebe com grande surpresa a decisão, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade. Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis”.

Em pronunciamento o governador afastado se disse ‘indignado’ e ‘vítima de perseguição política’.

COM A PALAVRA, O PASTOR EVERALDO
O Pastor Everaldo informa que, no dia 19 de agosto, encaminhou petição ao STJ solicitando para ser ouvido.

Na manhã desta sexta-feira, foi surpreendido com sua prisão e com a busca e apreensão realizadas em seus endereços.

Após ser preso, o Pastor Everaldo pediu para ser ouvido ainda hoje. O depoimento, no entanto, só deve acontecer na próxima segunda-feira, dia 31.

O Pastor Everaldo reitera sua confiança na Justiça.

COM A PALAVRA, O SECRETÁRIO JUAREZ FIALHO
Juarez Fialho esteve na iniciativa privada até novembro de 2018. Ao ser convidado para trabalhar no Governo do Estado, se desligou de toda e qualquer atividade privada para se dedicar exclusivamente ao serviço público. Sendo assim, não possui qualquer vínculo com as empresas citadas.

COM A PALAVRA O PSC
O ex-senador e ex-deputado Marcondes Gadelha, vice-presidente nacional do PSC, assume provisoriamente a presidência da legenda.

O calendário eleitoral do partido nos municípios segue sem alteração.

O PSC reitera que confia na Justiça e no amplo direito de defesa de todos os cidadãos.

O Pastor Everaldo sempre esteve à disposição de todas as autoridades, assim como o governador Wilson Witzel.

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