Operador de Eduardo Cunha chega a Brasília esta noite

Operador de Eduardo Cunha chega a Brasília esta noite

Lúcio Funaro, preso na sexta, 1.º, por ordem do Supremo, é acusado na Operação Sépsis de receber propinas de grandes empresas por meio do FI/FGTS

Julia Affonso e Ricardo Brandt

04 de julho de 2016 | 20h01

Lucio Funaro. Foto: Divulgação

Lucio Funaro. Foto: Divulgação

O lobista Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de propinas do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), embarca às 20h30 desta segunda-feira em um voo de Cumbica/Guarulhos com destino a Brasília, escoltado por agentes da Polícia Federal. A chegada está prevista para 22h05.

Funaro foi preso na Operação Sépsis em São Paulo na sexta-feira, 1.º de julho, por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que acolheu pedido do procurador-geral da República.

O lobista é investigado por supostamente participar de um grande esquema de propinas instalado no Fundo de Investimento do FGTS da Caixa, na gestão de Fábio Cleto, entre 2011 e 2015.

Em delação premiada, Cleto apontou doze operações com empresas de grande porte que receberam recursos do FI/FGTS.

Entre os alvos da Sépsis está o empresário Joesley Batista, sócio do grupo que controla a JBS, dona da Friboi, nos Jardins. Agentes da Polícia Federal fizeram buscas no endereço de Joesley.

A operação realizou buscas ainda na Eldorado, empresa da holding J&F, controladora da JBS, que fica no mesmo prédio da sede da Friboi em São Paulo.

A JBS comunicou na sexta, 1.º, que ‘não é alvo e não está relacionada com a operação da Polícia Federal’.

A Eldorado confirmou que a PF realizou busca e apreensão em suas dependências em São Paulo. Em nota, a Eldorado afirmou. “A companhia desconhece as razões e o objetivo desta ação e prestou todas as informações solicitadas. A Eldorado sempre atuou de forma transparente e todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade. A companhia se mantém à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.”

Outra citada por Fábio Cleto foi a empresa Lanza Linhas Amarelas do Metrô S/A – captou R$ 386,7 milhões do FI-FGTS. A operação foi aprovada em abril de 2012 com a concessionária Metrô/Rio, da Invepar, na qual a OAS tem participação. Eduardo Cunha, segundo Cleto, pediu sua ajuda nessa operação. “Sei que Eduardo Cunha tem um ótimo relacionamento com Léo Pinheiro”, disse Cleto, segundo o relato de fonte com acesso às investigações. Nesse caso, Cunha disse a Cleto que ficou com 0,30% do montante como propina. Cleto diz que recebeu R$ 46,5 mil. O dinheiro foi depositado em sua conta no exterior pela Carioca Engenharia.

Outra operação envolveu a captação de R$ 250 milhões para projetos como a concessão da Rodovia Raposo Tavares, da qual a OAS é concessionária. Cleto avisou Eduardo Cunha sobre o “desembolso” da operação. Cunha disse, segundo o delator, que ficaria com 1% do valor. Cleto recebeu R$ 100 mil, pagos no exterior.

Lúcio Funaro passou o fim de semana na Custódia da PF em São Paulo.

Em um despacho de 23 páginas, o ministro Teori cravou a necessidade de ‘resguardar a ordem pública e econômica’ ao expor seus argumentos para decretar a prisão preventiva do lobista.

Na semana passada, temendo que pudesse ser preso, ele comunicou seu advogado que se isso ocorresse iria fazer delação premiada. O advogado recomendou ao lobista que procurasse outro profissional.

Funaro comentou com o advogado que iria falar com o criminalista Antonio Figueiredo Basto, estabelecido em Curitiba – base da Operação Lava Jato.

Basto é especialista em delações premiadas. Na Lava Jato, ele foi constituído por vários delatores, entre eles Julio Camargo, que revelou propina de US$ 5 milhões, em 2011, para Eduardo Cunha em um contrato de operação de navio sonda da Petrobrás.

Basto também conduziu os depoimentos do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS) em sua delação premiada perante a Procuradoria-Geral da República. A delação de Delcídio é a mais explosiva até aqui na Lava Jato.

Investigadores avaliam que se Funaro contar o que sabe, os dias de Eduardo Cunha e de muitos empresários ‘estarão contados’.

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