Operador confessa propinas a Vaccarezza e envolve Loubet

Operador confessa propinas a Vaccarezza e envolve Loubet

Jorge Luz revelou ter intermediado repasse de R$ 400 mil ao ex-líder dos Governos Lula e Dilma na Câmara e que codinome V1 era referência ao deputado petista por Meto Grosso do Sul

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

22 Agosto 2017 | 16h28

Vander Loubet. Foto: Gilberto Nascimento/Estadão

Em depoimento à Polícia Federal no âmbito da Operação Abate, 44.ª fase da Lava Jato, o operador de propinas Jorge Luz confessou ter intermediado o repasse de R$ 400 mil oriundos de contrato entre a Petrobrás e a empresa americana Sargeant Marine ao ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara, Cândido Vaccarezza. Segundo a força-tarefa, o termo para fornecimento de asfalto à estatal teria rendido US$ 500 mil ao ex-parlamentar.

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O negócio da Sargeant Marine com a Petrobrás culminou na celebração de doze contratos, entre 2010 e 2013, no valor de aproximadamente US$ 180 milhões. A empresa fazia fornecimento de asfalto para a estatal e foi citada na delação do ex-diretor de Abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa.

Em depoimento, Jorge Luz afirmou ter sido procurado pelo executivo Luiz Eduardo Loureiro Andrade, o Ledu, da Sargeant Marine , que teria relatado dificuldades para obter contratos junto à Petrobrás. Segundo Luz, o executivo teria dito a ele que a empresa fornecia até mesmo asfalto para a Asphaltos, que era a então contratada pela Petrobrás.

De acordo com o operador, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa disse que, no âmbito do fornecimento de asfalto, tinha um pendência com o Partido Progressista, mas que Luz poderia ‘apadrinhar politicamente o assunto’.

O suposto ‘padrinho’ político, segundo o operador, teria sido Cândido Vaccarezza. Luz afirmou à PF que , ‘para demonstrar a Paulo Roberto Costa que o apadrinhamento de Cândido Vaccarezza era real’, ele ‘organizou um jantar em sua residência no Condomínio Mandala, na Barra da Tijuca, com a presença do então diretor de Abastecimento e do deputado do PT, no qual’ Luz ‘pediu que a Sargeant Marine pudesse ofertar preço à Petrobrás e, em caso de sucesso, que Cândido Vaccarezza receberia, para financiamento da campanha eleitoral, o valor de R$ 400.000,00’.

Segundo o lobista, Cândido Vaccarezza, pelo que se recorda, recebeu valores em espécie, por volta de setembro de 2010 em São Paulo, seja pessoalmente ou através de uma assistente sua de nome Ana Cláudia; Que o valor, que pode ter superado os R$ 400.000,00, foi pago no mínimo em três vezes, em entregas feitas’ por Luz ‘em endereço fornecido por Ana Claudia em São Paulo’.

O operador de propinas ainda disse à Polícia Federal que os valores também foram entregues em um restaurante em Campinas e no Aeroporto de Congonhas. Luz explicou à Polícia Federal que ‘o valor em espécie foi gerado a partir de depósitos realizados a partir da conta da Total TEC Power Solutions e/ou Pentegram Engineering’.

Em relatório, a Polícia Federal destacou que na 16.ª fase da Lava Jato, deflagrada contra desvios na Eletronuclear, foram apreendidos arquivos referentes a ‘e-mails vinculados à conta Oxfordgt@gmail.com os quais demonstram uma complexa tratativa para o fornecimento de produtos e serviços à Petrobras, envolvendo funcionários públicos da estatal petrolífera, executivos de empresas nacionais e internacionais, bem como agentes políticos’.

Nos e-mails constavam trocas de mensagens que, segundo a Polícia Federal, revelam ‘claras referências a interferências para contratação da Sargeant Marine, pela Petrobrás, para fornecimento de asfalto, com envolvimento de SIL (SIllas Oliva Filho), Ledu (Luiz Eduardo Loureiro Andrade), BR ou BL (Bruno Luz), PR (Paulo Roberto Costa), Roberto (Roberto Finocchi, executivo da Sargeant Terminals Tampa), Elisabeth (Elisabeth Regina de Souza, funcionária da Petrobrás cujo nome constou em contrato entre a Petrobrás e a Sargeant Marine, em julho de 2010); JP (José Raimundo Brandão Pereira, então funcionário da Petrobrás, na área de Marketing e Comercialização), MA (Marcio de Albuquerque Aché Cordeiro, ex-funcionário da Petrobrás)’.

Segundo Jorge Luz, ainda há os codinomes V1, atribuído ao deputado Vander Loubet (PT-MS) e V2, que seria Vaccarezza. Ambos são mencionados em atas e nos e-mails recuperados pelos investigadores.

Um e-mail revela que V1, apelido atribuído a Vander Loubet, ‘fez a introdução da conversa referindo-se às discussões anteriores com V2 e JL durante almoço em Brasília em final de março, enfatizando os interesses do partido para que os negócios fossem viabilizados em tempo adequado’.

Sobre as propinas ao contrato da Sargeant Marine, Luz alega que Loubet disse que os valores deveriam ser encaminhados integralmente a Vaccarezza.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARCELLUS FERREIRA PINTO, QUE DEFENDE CÂNDIDO VACCAREZZA

“A defesa de Cândido Vaccarezza, por meio do advogado Marcellus Ferreira Pinto, esclarece, em nota, que: Cândido Vaccarezza nunca intermediou qualquer tipo de negociação entre empresas privadas e a Petrobrás. A prisão foi decretada com base em delações contraditórias, algumas já retificadas pelos próprios delatores. A busca e apreensão excedeu os limites da decisão judicial, confiscando valores declarados no imposto de renda e objetos pertencentes a terceiros sem vínculo com a investigação. A defesa se manifestará nos autos e espera que a prisão seja revogada e as demais ilegalidades corrigidas!”

COM A PALAVRA, O PT

“Vaccarezza foi militante e parlamentar do PT, saiu do Partido por divergências políticas, um direito de qualquer pessoa.
O partido não tem informações sobre esse processo. Esperamos que ele tenha oportunidade de se defender e esclarecer as acusações”.

COM A PALAVRA, LOUBET

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado, que ainda não se pronunciou. O espaço está aberto para sua manifestação.