Operador bancou Bendine em NY, diz agente de viagem

Operador bancou Bendine em NY, diz agente de viagem

Luiz Henrique de Moura Souza prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro em ação na qual o ex-presidente da Petrobrás é acusado de receber propinas de R$ 3 milhões da Odebrecht

Luiz Vassallo

10 de outubro de 2017 | 05h00

O agente de turismo Luiz Henrique de Moura Souza relatou, ao juiz federal Sérgio Moro, nesta segunda-feira, 9, ter emitido passagens e feito reservas de hotel em Nova Iorque, Estados Unidos, para o ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e sua filha, Amanda Bendine, custeadas pelo publicitário André Gustavo Vieira da Silva, apontado como operador de propinas do executivo.

Nesta ação penal, Bendine é réu pela acusação exigir R$ 17 milhões em propinas da Odebrecht. Segundo a investigação, ele acabou recebendo R$ 3 milhões em três parcelas de R$ 1 milhão entre junho e julho de 2015 enquanto ocupava a Presidência da Petrobrás. Em troca teria agido em defesa dos interesses da empreiteira.

O publicitário Antonio Carlos Vieira da Silva e seu irmão, André Gustavo Vieira da Silva, são réus pela suposta operacionalização do repasse.

Segundo o Ministério Público Federal, Bendine tinha uma ‘conta de propinas’ com seus operadores, que envolvia, inclusive, o pagamento de diárias e passagens aéreas.

A Procuradoria da República informou a Moro que ‘em diligência efetuada junto a Circus Turismo, empresa não investigada e que voluntariamente colaborou com o fornecimento das provas, foi certificado que, de fato, Antônio Carlos utilizou recursos de origem criminosa para arcar com despesas de hotéis para a família Bendine em Nova Iorque, entre os dias 22 de dezembro de 2015 e 4 de janeiro de 2016’.

“O pagamento teria ocorrido com pagamento à vista, em espécie, por parte de André Gustavo e para ocultar a origem e a natureza criminosa dos valores, não foram emitidas notas fiscais do serviço objeto da contratação em nome de Aldemir Bendine e familiares relacionados”, destaca a Procuradoria.

O dono da agência Circus, arrolado como testemunha de acusação, afirmou nesta segunda-feira, 9, que não falou ‘com Aldemir, nem com Amanda’, mas relatou ter lembrado de que ‘quem pediu essa reserva foi andre Gustavo’.

“No dia 4 de dezembro, Então, eu pedi a reserva, porque em NY tem uma dificuldade muito grande para conseguir hotel, e ai eu peguei e fiz uma reserva para esse senhor. A tarde, eu tive esta confirmação desta reserva. No hotel lote em NY. Uma em nome de Aldemir bendine e outra em nome de amanda benedine”.

COM A PALAVRA, ANDRÉ GUSTAVO VIEIRA DA SILVA

A reportagem não localizou a defesa do empresário. O espaço está aberto para manifestação.

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