Operação Quimera prende grupo que desviava ouro de mineradoras em Minas

Operação Quimera prende grupo que desviava ouro de mineradoras em Minas

21 pessoas foram detidas acusadas pela Polícia Civil, em Santa Bárbara, de crimes contra exploradoras de ouro e por envolvimento com lavagem de dinheiro, tráfico e venda de armas

Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

04 Julho 2018 | 18h27

Ouro, dinheiro e equipamentos apreendidos na Operação Quimera. Foto: Divulgação Polícia Civil

A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu nesta quarta-feira, 3, na Operação Quimera 21 pessoas acusadas de pertencerem a uma organização criminosa especializada em crimes contra mineradoras de ouro, entre elas as multinacionais AngloGold Ashanti e Jaguar Mining. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Santa Bárbara, Belo Horizonte, Barão de Cocais e João Monlevade nesta quarta-feira, 4 – há 3 foragidos.

Conduzida pela Delegacia de Polícia de Santa Bárbara, a Quimera apreendeu com o grupo uma sacola com dezenas de pepitas de ouro (teor estimado de 90% a 95% de pureza), R$ 40 mil em dinheiro vivo, 23 veículos (alguns de luxo), dois detectores de ouro, carpetes, substâncias e equipamentos utilizados no processo de apuração de ouro, diversos rádio comunicadores e celular. Foi decretado pela Justiça ainda o bloqueio de bens e valores dos investigados.

O delegado Domiciano Ferreira Monteiro de Castro Neto afirmou que grupo era “extremamente organizado, equipado e perigoso”.

“A organização criminosa conta com diversos núcleos de atuação, um deles formado por funcionário da própria empresa”, disse o delegado. Cinco deles foram presos. Eles seriam “incumbidos de repassar informações privilegiadas aos demais membros da organização criminosa, inclusive sobre as operações do processo minerário, quantidade e posicionamento de vigias e trabalhadores”.

Graças a eles, o grupo “conseguia ludibriar os pesados sistemas de bloqueios, vigilância, alarmes e segurança armada existentes” nessas mineradoras.

A quadrilha tinha também responsáveis pela distribuição dos valores. Segundo a polícia, foi identificado o núcleo de receptadores, donos de joalherias, que faziam a compra do ouro e ainda repassavam mercúrio e outras substâncias para os demais criminosos utilizarem no processo de apuração mineral.

O delegado afirmou que a apuração também trata de lavagem de dinheiro. Monteiro explicou que “eram realizadas transações financeiras com frequência, especialmente a partir dos receptadores, quando recebiam o ouro produto do crime”.

Segundo ele, “vários membros da organização criminosa se preocupavam que vultosos investimentos em imóveis e veículos que alguns de seus membros estavam realizando em nome próprio ou de terceiros poderiam chamar a atenção de outras pessoas.”

Parte da organização, além das investidas que promoviam às mineradoras, era a responsável ainda “pelo domínio do tráfico de drogas e armas de fogo no distrito de Barra Feliz, em Santa Bárbara”, afirmou a polícia.

O nome da operação faz alusão “à híbrida figura da mitologia grega, sendo o termo empregado também com significado de utopia, conhecido especialmente no filme ‘A Quimera do Ouro’, de Charles Chaplin, diante do sonho de enriquecimento rápido com o mineral”.

Os presos foram encaminhados para o Presídio de Barão de Cocais, onde ficarão em virtude dos mandados de prisões preventivas expedidos. Um advogado detido será levado ao presídio Nelson Hungria.