Operação Pare e Siga ataca desvio milionário em obra da sede da PRF em Rondônia e derruba superintendente

Operação Pare e Siga ataca desvio milionário em obra da sede da PRF em Rondônia e derruba superintendente

Força-tarefa da Controladoria-Geral da União, Polícia Federal e Procuradoria aponta que valor de construção orçada em R$ 22 milhões inicialmente poderá saltar para R$ 36,5 milhões; em 2014, Bruno Ferreira Malheiros, genro do ex-senador Ivo Cassol, foi afastado do comando da Polícia Rodoviária Federal no Estado

Pepita Ortega, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

08 de agosto de 2019 | 10h27

Foto da obra da PRF em construção, na saída de Porto Velho (RO) em direção a Rio Branco (AC). Foto: CGU

Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal deflagraram nesta quinta, 8, a Operação Pare e Siga, em Rondônia, para combater desvios de recursos na execução da obra de construção da nova sede da Polícia Rodoviária Federal, localizada na BR-364, sentido Acre. O superintendente da PRF em Rondônia, Bruno Ferreira Malheiros, genro do ex-senador Ivo Cassol, foi afastado do cargo.

A ação conta com a participação de servidores da CGU durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, conforme autorizado em decisão judicial.

Segundo a Controladoria, os investigados são suspeitos de peculato – crime executado por servidor público contra a própria administração pública -, associação criminosa e dispensa irregular de licitação.

A ação decorre de investigação em parceria entre a Controladoria, a PF e o Ministério Público Federal em Rondônia.

Segundo as investigações, já na primeira medição da obra, a empresa Qualitá Projetos e Consultoria Ltda, contratada pela Polícia Rodoviária Federal em Rondônia para ser a fiscal do contrato, verificou que os serviços executados correspondiam a R$ 70 mil.

No entanto, o valor aprovado pela comissão da PRF/RO para essa etapa da obra foi de R$ 263 mil, ou seja, uma quantia 300% superior ao realizado.

Em março de 2014, após não atender ao pedido do então superintendente da PRF/RO para trocar o profissional que estaria ‘dificultando’ a aprovação das medições, a empresa Qualitá teve seu contrato rescindido unilateralmente. Depois disso, nenhuma outra empresa foi contratada para fazer a fiscalização da obra.

Foto da obra da PRF em construção, na saída de Porto Velho (RO) em direção a Rio Branco (AC)

“Como consequência da condução irregular no curso da construção, a obra foi interrompida, com graves prejuízos ao erário”, assinala a Controladoria, por meio de sua Assessoria de Comunicação Social.

Ao todo, já foram pagos R$ 21,4 milhões.

Foi realizada então a contratação de outra empresa, a 3R Construções Eireli-ME, para fazer o levantamento do valor que falta ser executado para a conclusão da obra, que é de R$ 15,1 milhões.

Segundo a Controladoria, levando em consideração o que já foi pago até o momento (R$ 21,4 milhões) com o que falta ser executado (R$ 15,1 milhões), o custo da obra passaria dos R$ 22 milhões orçados inicialmente para 36,5 milhões, ou seja, uma diferença de R$ 14,5 milhões a mais em relação ao valor previsto.

Também há suspeitas de irregularidades na contratação da empresa 3R Construções Eireli-ME, informam os investigadores.

Segundo a Polícia Federal, que fez a medição de aproximadamente dez itens da obra, foi detectado superfaturamento com prejuízo projetado em R$ 1,1 milhão em apenas uma amostra de itens.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL EM RONDÔNIA

A reportagem pediu manifestação da Polícia Rodoviária Federal em Rondônia. O espaço está aberto. (pepita.ortaga@estadao.com e fausto.macedo@estadao.com)

 COM A PALAVRA, A POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL

A reportagem do Estadão pediu manifestação da Polícia Rodoviária Federal, via Assessoria de Comunicação Nacional. O espaço está aberto. (pepita.ortega@estadao.com efausto.macedo@estadao.com)

 COM A PALAVRA, A DEFESA DAS EMPRESAS

A reportagem busca contato com representantes das duas empresas citadas nas informações da Controladoria-Geral da União. O espaço está aberto para manifestações. (pepita.ortega@estadao.com efausto.macedo@estadao.com)

Tendências: