Operação Mustela mira esquema que cobrava de pacientes para furar fila do SUS

Operação Mustela mira esquema que cobrava de pacientes para furar fila do SUS

Ministério Público do Paraná cumpre quatro mandados de busca em ação deflagrada nesta quinta-feira, 30

Julia Affonso

30 de maio de 2019 | 11h56

Foto ilustrativa: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Públicodo Paraná cumpriu nesta quinta-feira, 30, quatro mandados de busca e apreensão na Operação Mustela. A investigação mira o envolvimento de agentes públicos e profissionais de saúde em um esquema que cobrava de pacientes para furar a fila de prioridades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os mandados foram cumpridos em Curitiba e Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. O Ministério Público foi a três albergues de uma casa de apoio e em uma residência.

Em nota, a Promotoria informou que o objetivo dos mandados é colher provas sobre o suposto envolvimento do proprietário da casa de apoio na intermediação de cobrança de valores de pacientes para internamento em hospitais pelo SUS. A suspeita é de que o investigado, a partir de seus contatos nas unidades de saúde, burlava a fila do SUS, passando pacientes na frente de outros prioritários.

Foram apreendidos documentos, valores em dinheiro e aparelhos de telefone celular. As investigações são conduzidas pela 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo.

Denúncia

A Vara Criminal de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, determinou a imediata suspensão das atividades de um médico denunciado pelo Ministério Público do Paraná na Operação Mustela. A acusação da 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo contra quatro investigados por concussão (exigir vantagem indevida em razão do cargo que ocupa) aponta que o grupo cobrava indevidamente de pacientes para furar a fila de prioridades do SUS.

Documento

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Na decisão, a Justiça determinou que outros três investigados – entre eles, um vereador de Bandeirantes (PR) que atuava na intermediação das tratativas – não mantenham qualquer tipo de contato com pessoas identificadas no processo como vítimas das cobranças indevidas. Ao afastar das funções o médico, que atua na área de Ortopedia, a Justiça destaca que o não cumprimento da decisão pode acarretar a imediata decretação de sua prisão preventiva.

A investigação do Ministério Público sobre o esquema começou em 2017. O inquérito aponta que, além de Campo Largo, o grupo atuou em outros municípios do Paraná.

A partir de depoimentos de vítimas e informações obtidas por meio de quebra de sigilos telefônicos, a operação foi deflagrada em dezembro de 2018, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com o cumprimento de mandados de buscas e apreensão e de prisão temporária contra alguns envolvidos.

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