Operação Greenfield pede condenação da mãe de Geddel e Lúcio por ‘guardar e gerir’ bunker dos R$ 51 mi

Operação Greenfield pede condenação da mãe de Geddel e Lúcio por ‘guardar e gerir’ bunker dos R$ 51 mi

Marluce Vieira Lima é acusada pela força-tarefa do Ministério Público Federal de 'atuação proeminente' em esquema dos filhos que foram condenados nesta terça, 22, pelo Supremo, por associação criminosa e lavagem de dinheiro

Luiz Vassallo, Pedro Prata e Fausto Macedo

22 de outubro de 2019 | 18h22

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A força-tarefa Greenfield, do Ministério Público Federal, protocolou alegações finais no processo que investiga a suposta participação de Marluce Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima, ambos do MDB, no suposto controle das finanças ilegais da família. Segundo a Procuradoria, Marluce teve ‘atuação proeminente’ no esquema.

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Marluce seria responsável por ‘gerir, guardar e determinar a saída e inserção, no mercado formal, dos recursos ilícitos captados pelos filhos’.

Entre os recursos administrados por Marluce, segundo a Procuradoria, estavam os R$ 51 milhões apreendidos em dinheiro vivo, em um apartamento vazio de Salvador. Nesta terça, 22, os ministros da 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal condenaram Geddel e Lúcio por associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O Ministério Público Federal pede a aplicação de pena de, no mínimo, 92 anos e 6 meses de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo a força-tarefa Greenfield, os crimes têm relação com propinas recebidas em operações de financiamentos e empréstimos da Caixa Econômica Federal, investigadas pelas operações ‘Cui Bono?’ e ‘Sépsis’.

As movimentações aconteceram no período em que Geddel estava na vice-presidência de Pessoas Jurídicas do banco e o recebimento da propina, no valor de quase R$20 milhões, foi intermediado pelo delator Lúcio Bolonha Funaro, segundo a Procuradoria.

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, também houve recebimento, em espécie, de vantagem indevida de quase R$4 milhões do Grupo Odebrecht pelos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima.

O esquema contava ainda com a retenção de parte dos salários pagos a secretários parlamentares lotados nos gabinetes dos irmãos Vieira Lima.

A força-tarefa concluiu que ‘Marluce, apesar da idade avançada, tinha papel relevante na associação criminosa’.

Os procuradores sustentam que, ‘além de ceder a sua residência para a ocultação de milhões de reais e de dólares, em caixas e malas, a acusada recolhia propina em sua casa, dava ordens de como utilizá-las e a quem entregá-las’.

Greenfield afirma que os valores eram armazenados no closet do apartamento em que a matriarca dos Vieira Lima mora e, posteriormente, enviados ao apartamento em que foram achados os R$ 51 milhões.

Marluce também constituiu empresas, junto com os filhos, e as administrava e tomava decisões financeiras, segue a força-tarefa.

“Ela combinava a forma de aportar os recursos ilícitos com o sócio da Cosbat e ainda chegou a ordenar que destruíssem documentos relacionados a sua atuação ilícita”, afirma o Ministério Público Federal.

Sobre o caso, a força-tarefa Greenfield destacou. “Trata-se da maior apreensão em dinheiro vivo da história do Brasil, cuja fotografia de caixas e malas de dinheiro estampa, no cenário nacional, a face visível da corrupção praticada contra os cofres públicos.”

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