A conta ‘Eficiência’ de Sérgio Cabral no exterior

A conta ‘Eficiência’ de Sérgio Cabral no exterior

Rede de lavagem do ex-governador do Rio incluía, segundo a Procuradoria, inclui nove contas em instituições bancárias na Suíça, Luxemburgo, Bahamas, Uruguai e Andorra

Wilson Tosta, do Rio

26 de janeiro de 2017 | 11h08

Sérgio Cabral chega ao IML em Curitiba, em 10 de dezembro. Foto: Rodrigo Felix/Gazeta do Povo

Sérgio Cabral chega ao IML em Curitiba, em 10 de dezembro. Foto: Rodrigo Felix/Gazeta do Povo

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB), preso desde novembro na Operação Calicute e alvo da Operação Eficiência deflagrada nesta quinta-feira, 26, utilizava um complexo esquema de contas no exterior para ocultar o dinheiro ilegal que, supostamente, recebia, segundo denúncia da Procuradoria da República. A acusação aponta uma lista de nove contas bancárias, onde o dinheiro das propinas seria depositado, em instituições bancárias na Suíça, Luxemburgo, Bahamas, Uruguai e Andorra.

Cabral também teria uma conta no Israel Discount Bank of New York, afirmam os procuradores. O esquema teria começado quando o ex-governador ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, cuja Assembleia Legislativa presidiu.

A existência das contas foi revelada pelo colaborador Renato Hasson Chebar, que é operador do mercado financeiro. Em depoimento, ele contou que conhecia Cabral porque a companheira de seu pai era secretária do parlamentar, no fim dos anos 90. Por volta de 2002/2003, o deputado procurou Chebar, assustado com o escândalo do Propinoduto (recebimento de propinas por fiscais de impostos do Estado, que tinham contas ilegais no exterior). Cabral não estaria envolvido, segundo o colaborador, mas manifestou preocupação com a conta no Israel Discount Bank. No encontro, que teria sido testemunhado por Sérgio Castro de Oliveira (Serjão ou Big), perguntou de Chebar poderia receber o dinheiro que tinha depositadfo na conta “Eficiência”.

contacabral

Segundo o pedido do MPF, “o colaborador concordou, tendo os valores sido transferidos para duas contas de sua titularidade de nome “Siver Fleet” e “Alpine Grey”; Que os valores transferidos foram da ordem de USD 2.000.000,00; Que a partir daí os valores ficaram em nome do colaborador” Após a transferência, essas duas contas (o mesmo banco) passaram a ser alimentadas por operações de dólar-cabo, feitas por Serjão ou Big com Renato e o irmão Marcelo Hasson Chebar. O dinheiro ilegal era entregue em reais para que os valores correspondentes em dólar fossem creditados para Cabral. Essas operações acumularam US$ 6 milhõese entre 2002 e 2007.

“A movimentação dos recursos não se deu apenas por meio das contas acima mencionadas.”, prossegue a denúncia. Após o Israel Discount Bank de Nova York (IDB/NY) ter sido vendido, a nova administração expurgou operadores do mercado ilegal de câmbio, tendo os colaboradores migrado os recursos para diversas outras contas em paraísos fiscais, tais como: 1) ORLY TRADING junto ao HSBC em Genebra; 2) HUSTAR/BENDIGO junto ao HAPOALIM BANK em Luxemburgo; 3) WHITE PEARL junto ao BSI BANK em Genebra; 4) WINCHESTER junto ao BSI BANK em Genebra; 5) BLACK PEARL junto ao BSI BANK em Bahamas; 6) ARCADIA ASSOCIADOS junto ao WINTERBOTHAM no Uruguay; 7) CANDANCE INC. junto ao BPA BANK em Andorra; 8) ANDREWS DEVELOPMENT S.A, junto ao BSI Bank em Bahamas; 9) CLAWSON ENTERPRISES, junto ao banco BSI Bank Bahamas (…).”

Em 2007, a partir da posse de Cabral no governo do Rio, Serjão foi substituído por Carlos Miranda, outro que está preso na Calicute. O procedimento era o mesmo, mas o volume de dinheiro ficou grande demais . Isso tornou impossível encontrar pessoas para as operações de dólar-cabo. Por isso, passaram usar os serviços de um doleiro conhecido como “Juca” ou “Juca Bala”, que tinha estrutura maior para as operações. Renato prestava contas a Cabral, em média, quatro vezes por ano, sempre no apartamento do agora ex-governador, na Rua Aristides Espindola, no Leblon.

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